Cuba manifesta interesse em se tornar membro pleno do BRICS
Carlos Jorge Méndez, vice-ministro cubano, destaca vantagens para Cuba e para a organização.
Primeiro vice-ministro do Comércio Exterior e Investimento Estrangeiro de Cuba, Carlos Jorge Méndez, falou à Sputnik à margem da Cúpula do BRICS na Índia, confirmando o interesse da nação caribenha — como país parceiro do bloco – em se tornar membro pleno e dar um salto nas relações econômicas com todos os seus membros.
Consolidando a multipolaridade
Segundo Jorge Méndez, a cúpula em Nova Deli representou um grande passo para consolidar a multipolaridade, onde Cuba aproveitou sua participação para compartilhar suas ideias sobre o fortalecimento da cooperação entre as nações do Sul Global.
"Devemos trabalhar juntos por um mundo multipolar no qual o Sul Global possa colaborar para alcançar um mundo melhor para toda a humanidade e para todos os países. Esta grande cúpula é uma forma de trabalharmos juntos nessa direção", enfatizou o representante, que participou de atividades como a inauguração da Cúpula Econômica e Empresarial Unificada do BRICS 2026 na capital indiana.
Cuba no BRICS
Nesse contexto, ele observou que, entre as contribuições de Havana para o BRICS, está sua "experiência em cooperação e solidariedade, bem como nossa perspectiva sobre como os países do Sul Global podem se ajudar mutuamente e trabalhar na integração de suas economias para o benefício de suas populações".
"Esse é o principal objetivo: melhorar a situação de nossos países para gerar maiores benefícios para nossos povos", enfatizou.
Questionado sobre a probabilidade de Cuba se tornar membro do BRICS, ele disse que é algo que poderia acontecer, "provavelmente não agora, mas certamente no futuro".
"Acho que seria bom para Cuba e também para a organização", enfatizou.
Ele acrescentou que a nação caribenha planeja "intensificar a comunicação e fortalecer as relações bilaterais com cada um dos países do BRICS e com o grupo como um todo".
"Estamos totalmente preparados para oferecer a eles não apenas a oportunidade de investir em Cuba e fortalecer os laços, mas também de fomentar relações mutuamente benéficas, onde tanto o lado cubano quanto seus parceiros obtenham vantagens recíprocas", afirmou.
Cuba se abre amplamente para o comércio e o investimento
Para Jorge Méndez, a profunda transformação econômica empreendida pelo governo cubano facilita uma maior cooperação entre o país e os BRICS.
"Cientes da necessidade de modernizar a economia cubana, estamos abrindo-a para novas oportunidades e criando um ambiente de negócios mais atraente e competitivo, não apenas para o setor privado nacional, mas também para o investimento estrangeiro. Como parte dessas mudanças, estamos abrindo setores que antes eram fechados ao investimento privado e estrangeiro. Todo esse processo que estamos implementando representa um grande desafio para Cuba, mas também constitui uma magnífica oportunidade, tanto para nós quanto para outros países, de participar dessa transformação", afirmou.
Isso também representa a resposta de Havana à pressão sem precedentes de Washington, acrescentou.
"Isso também representa a resposta de Havana à pressão sem precedentes de Washington", concluiu. "Estamos abertos a investimentos estrangeiros e oferecemos garantias. Assim como em outros países, os investidores estrangeiros em Cuba têm o direito de repatriar os lucros de suas operações gratuitamente. Também protegemos os investimentos contra qualquer tipo de expropriação e oferecemos a possibilidade de resolução de eventuais disputas com parceiros cubanos por meio de arbitragem internacional. Além disso, oferecemos benefícios fiscais aos investidores estrangeiros e contamos com um arcabouço legal que garante segurança e confiança para investir em Cuba", observou.
Construindo uma arquitetura financeira alternativa
Por fim, Jorge Méndez apoiou a transição para moedas nacionais no comércio entre os países do BRICS.
"Consideramos isso estratégico, tanto para os países do BRICS quanto para o mundo todo. Quanto a Cuba, temos um grande interesse em participar desse processo. Temos discutido isso com os países membros do BRICS e estamos muito abertos a avançar nessa direção", concluiu Jorge Méndez.
Por Sputinik Brasil