SEGURANÇA PÚBLICA

Otan intercepta drone na Lituânia pela primeira vez

Aeronave pode ter vindo de Belarus; queda ocorreu em Pratkunai.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/09/2026 às 10:34
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Caças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) derrubaram um drone que entrou no espaço aéreo da Lituânia durante a madrugada desta terça-feira, 15, no primeiro episódio desse tipo registrado no país, disseram autoridades. A origem e o objetivo do aparelho ainda são investigados.

O drone foi abatido perto da vila de Pratkunai, cerca de 100 quilômetros a oeste de Vilnius e próximo ao reservatório de Kaunas, informou o Centro Nacional de Gestão de Crises da Lituânia. O comandante da Força Aérea, Antanas Matutis, disse que os destroços foram encontrados e que o aparelho "provavelmente" transportava explosivos.

Vilmantas Vitkauskas, chefe do centro de crises, afirmou à emissora pública LRT que o drone provavelmente entrou no país a partir de Belarus, permaneceu cerca de 30 minutos no espaço aéreo lituano e voou pelas periferias de áreas povoadas antes de ser interceptado.

O incidente ocorreu um dia depois de o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmar que ataques "próximos ao território da Otan" demonstravam o "desespero" do presidente russo, Vladimir Putin, e seu desejo de "semear medo e terror". Rutte disse ainda que a Rússia está se tornando "cada vez mais imprudente" e prometeu reforçar as defesas da aliança em sua fronteira oriental.

Países da Otan, entre eles Alemanha, Dinamarca, Reino Unido e Polônia, acusaram nas últimas semanas a Rússia de envolvimento em incursões de drones, sabotagem, incêndios criminosos e vigilância de instalações de defesa. A Lituânia faz fronteira com Belarus e com o enclave russo de Kaliningrado.

Em outro episódio nesta terça-feira, a Dinamarca afirmou que um helicóptero de sua Força Aérea foi alvo de disparos de sinalizadores durante uma "cobertura fotográfica de rotina" de uma fragata russa perto do porto de Gedser, no Mar Báltico. O governo dinamarquês classificou o caso como "completamente inaceitável" e convocou o embaixador russo.

Enquanto isso, ataques russos com drones continuaram na Ucrânia após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na segunda-feira que Rússia e Ucrânia haviam concordado em "não atingir" a infraestrutura energética uma da outra. Moscou não comentou imediatamente a publicação.

O presidente ucraniano, Volodiiyr Zelenski, afirmou que Kiev está "pronta para apoiar a desescalada" se os EUA puderem garantir que a Rússia está realmente disposta a encerrar a guerra. Nesta terça-feira, porém, disse que Moscou continuou atacando o setor energético, a logística e a infraestrutura crítica ucraniana e que Kiev respondeu atingindo uma refinaria em Syzran, no oeste da Rússia.

Ataques russos mataram uma pessoa e feriram sete em Kiev nesta terça-feira, segundo o Serviço Estatal de Emergência da Ucrânia. Outras duas pessoas morreram em ataques separados em Sloviansk e Kramatorsk. O Ministério da Defesa da Rússia, por sua vez, afirmou ter derrubado 222 drones ucranianos durante a madrugada.

Na cidade russa de Taganrog, um ataque "maciço" de drones provocou incêndios e danificou imóveis, armazéns e uma instalação da varejista Ozon, segundo autoridades locais. Zelensky disse que as forças ucranianas tiveram como alvo uma instalação de produção de drones na cidade.

Também nesta terça-feira, o Parlamento da Ucrânia votou pela destituição de Ruslan Kravchenko do cargo de procurador-geral. Ele havia apresentado sua renúncia em 7 de setembro em meio a uma investigação anticorrupção sobre seu gabinete e estava suspenso pelo presidente Zelensky desde o dia anterior. Fonte: Associated Press.