POLÍTICA

Estados Unidos intensificam diálogo militar com a China durante Fórum Xiangshan

Evento em Pequim ocorre em meio a tensões e busca por estabilização nas relações entre as potências.

Por Sputnik Brasil Publicado em 15/09/2026 às 08:44
Fórum Xiangshan em Pequim discute diálogo militar entre EUA e China. © AP Photo / Mark Schiefelbein

A participação ampliada dos EUA no Fórum Xiangshan ocorre em meio à retomada do diálogo militar com a China, em um esforço para estabilizar a relação entre as duas potências, mesmo enquanto Washington mantém pressão competitiva na Ásia‑Pacífico e Pequim reforça sua capacidade de defesa e desenvolvimento.

O 13º Fórum Xiangshan de Pequim, marcado para esta terça-feira (15), vai reunir centenas de oficiais militares, diplomatas e especialistas de diversos países, em meio ao aumento das tensões regionais. No entanto, a atenção voltou-se especialmente para o nível da delegação dos EUA, considerado mais elevado que o do ano anterior, o que levou alguns observadores a sugerir uma melhora nas relações militares entre Washington e Pequim.

O diálogo militar entre China e EUA vem sendo retomado gradualmente, seguindo o consenso estabelecido pelos chefes de Estado. Em maio, os dois países realizaram uma reunião de grupo de trabalho do Acordo Consultivo Militar Marítimo no Havaí. No fim de agosto, o comandante do Teatro Oriental do Exército de Libertação Popular encontrou-se pela primeira vez com o chefe do Comando do Pacífico dos EUA. A delegação norte-americana no fórum será liderada pelo diretor principal do Pentágono para assuntos da China, permitindo discussões políticas mais pragmáticas.

De acordo com o Global Times, a retomada desses canais de segurança envia sinais claros: China e EUA precisam de diálogo e estabilidade estratégica.

Entretanto, o desafio reside no fato de que parte da elite política norte-americana ainda opera sob uma mentalidade de superioridade histórica, tratando o diálogo como imposição de regras e a gestão de crises como testes constantes às linhas vermelhas chinesas. Esse padrão, segundo analistas ouvidos pela mídia, começa a mudar.

A construção de estabilidade estratégica exige que ambos reconheçam a determinação e as capacidades do outro na defesa de seus interesses fundamentais, além dos custos de um conflito direto. Com mudanças no equilíbrio de poder, a dissuasão militar para forçar concessões da China tornou-se inviável, o que explica a insistência de Washington em manter canais de comunicação.

A presença de autoridades norte-americanas de nível mais alto no fórum não indica uma mudança profunda na estratégia dos EUA, já que o impulso competitivo permanece forte, com setores políticos defendendo maior presença militar na Ásia-Pacífico e buscando atritos em temas como Taiwan, mar do Sul da China, tecnologia e alianças regionais.

Aqueles que tentam explorar tensões entre China e EUA para ganhos estratégicos precisam reconhecer essa nova realidade, destaca o artigo. Testes de limites e ações provocativas podem continuar, mas não alteram a trajetória de desenvolvimento da China nem o reajuste estrutural do equilíbrio global de poder.

O texto argumenta que Pequim pretende preservar a paz por meio de racionalidade e firmeza, traçando linhas vermelhas claras quando necessário e mantendo abertura ao diálogo, ao mesmo tempo em que continuará fortalecendo suas capacidades por meio do desenvolvimento interno e da modernização da defesa.

O fortalecimento do diálogo, no entanto, sinaliza que a China pretende proteger seus interesses fundamentais enquanto mantém disposição para um relacionamento estável e construtivo.