ECONOMIA

Estabilidade do desemprego no Reino Unido é divulgada antes da reunião do Banco da Inglaterra

Desemprego permanece em 4,9% nos três meses até julho, conforme dados do ONS.

Por Estadao Conteudo Publicado em 15/09/2026 às 07:33
Reino Unido © AP Photo / Kirsty Wigglesworth

A taxa de desemprego no Reino Unido permanecem inalterada nos três meses até julho, enquanto o mercado de trabalho continua a apresentar sinais de enfraquecimento às vésperas da reunião do Banco da Inglaterra (BoE) desta semana.

O desemprego ficou em 4,9%, mesmo nível registrado nos três meses até junho, segundo os dados divulgados nesta terça-feira, 15, pelo Escritório de Estatísticas Nacionais (ONS, na sigla em inglês). O resultado está em linha com o consenso de economistas consultados pelo The Wall Street Journal e permanece próximo da máxima de cinco anos.

O número total de trabalhadores na folha de pagamento voltou a cair, especialmente nos setores de varejo e hospitalidade, enquanto as vagas de emprego encontram-se no menor nível fora do período da pandemia em mais de uma década, de acordo com o ONS.

Diante de um cenário de elevada incerteza econômica, os empregadores têm optado por adiar novas contratações, conforme indicado por Yael Selfin, economista da KPMG no Reino Unido. "As pessoas simplesmente não querem contratar. A incerteza mantém as vagas baixas. Eles estavam esperando para ver antes de avançar", comentou ela.

O crescimento anual dos salários, excluindo bônus, foi de 3,5%, em linha com o período anterior e com as estimativas dos economistas, conforme mostram os dados.

Essas informações são divulgadas antes da decisão de juros do BoE, marcada para quinta-feira. A expectativa predominante é de que a taxa básica se mantenha em 3,75%, embora os mercados estejam aumentando as apostas em uma elevação mais adiante, devido ao avanço dos riscos inflacionários.

A inflação referente a agosto, que será divulgada na quarta-feira, deve apresentar uma variação anual dos preços acima de 3%, em comparação aos 2,9% registrados em julho, impulsionada pelos custos de energia em função da prolongação da guerra no Irã.

Ainda assim, a inflação de núcleo deve permanecer estável em 2,6%, com poucos sinais de que a alta da energia esteja afetando outros segmentos da economia. Juntamente com a estabilidade no crescimento dos salários, essa leitura pode esfriar as expectativas de novas elevações de juros.

"O mercado de trabalho continua fraco demais para que o crescimento salarial acompanhe a aceleração dos preços ao consumidor", afirmou Andrew Wishart, economista do Berenberg. "Como resultado, acreditamos que o BoE só precisará elevar os juros uma vez, ao invés de quatro vezes, como previsto atualmente pelos investidores", acrescentou.

Fonte: Dow Jones Newswires.