NEGÓCIOS

Rússia e China discutem rotas para drones de carga

Acordos visam estabelecer trajetórias aéreas para veículos aéreos não tripulados entre os dois países.

Por Sputnik Brasil Publicado em 14/09/2026 às 22:31
Rússia e China negociam a criação de rotas aéreas para drones de carga. © Sputnik / Mikhail Golenkov

A Rússia negocia ativamente com a China a criação de rotas transfronteiriças para veículos aéreos não tripulados (VANTs), com um projeto-piloto previsto para Blagoveshchensk, afirmou à Sputnik o chefe da Agência Federal dos Transportes Aéreos da Rússia (Rosaviatsiya), Dmitry Yadrov.

No início de setembro, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que Moscou está aberta à cooperação com todos os parceiros da União Econômica Eurasiática (UEE) e de outras alianças para estabelecer novas rotas transfronteiriças para veículos de transporte não tripulados.

"De fato, estamos cooperando com a China nessa área. Foi proposto um projeto-piloto para Blagoveshchensk, e a questão está atualmente em discussão", afirmou Yadrov à margem do Festival Internacional da Juventude, ao ser questionado sobre quais países participam das negociações para o lançamento de rotas transfronteiriças para VANTs.

O dirigente ressaltou que as negociações estão em uma fase ativa e que as discussões já estão em andamento.

O projeto foi anunciado em meio ao fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas globais cujo fechamento por conta da guerra no Irã expôs gargalos que levaram analistas chineses a defender mais escoltas, rotas alternativas e corredores terrestres para proteger o fluxo de energia diante de tensões geopolíticas crescentes.

Para especialistas como Lu Ruquan, do Instituto de Pesquisa Econômica e Tecnológica da CNPC, consultado pelo South China Morning Post, o conflito no Oriente Médio abalou a cadeia global de suprimentos e exige que Pequim fortaleça capacidades de escolta, respostas a emergências e garantias de segurança em pontos críticos.

Lu afirmou, em artigo recente, que o fechamento do estreito interrompeu o transporte de petróleo, gás e fertilizantes, pressionando preços e elevando a inflação em diversos países. Para o analista, porém, a crise reforça que corredores energéticos se tornaram focos centrais de tensões geopolíticas, com impacto direto na estabilidade do fornecimento, nos fluxos comerciais e na resiliência das cadeias de suprimentos.