Ministra destaca desafios fiscais do Brasil em evento empresarial
Esther Dweck avalia que tarifas dos EUA afetam finanças brasileiras e afirma que ajustes fiscais não são suficientes.
A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou nesta segunda-feira (14) durante evento do grupo empresarial Esfera Brasil que apenas alterar taxas de juros e metas fiscais podem não resolver problemas no país.
"Só o [ajuste] fiscal não ia resolver, porque a gente tem uma volatilidade externa muito grande", disse ela ao lembrar das tarifas aplicadas pelos EUA. "Isso tem reflexo sobre o Brasil", completou.
Dweck comentou que há uma constante "reforma administrativa", diferente da feita durante o mandato anterior ao de Lula, com ações dezenas de ações para modernizar a forma como os servidores públicos atuam, reestruturar a contratação de pessoas e mais mão de obra para serviço público em uma lógica de carreiras mais transversais.
"A gente já está numa trajetória de consolidação fiscal. […] A gente está entregando com superávit e com uma crescente nos próximos anos o que vai sim ajudar a reduzir a equação fiscal, trazer a trajetória da dívida para uma trajetória de estabilidade."
Sobre os supersalários do Judiciário, ela comentou que o tema deverá ser trabalhado pelo próprio Poder. "A gente quer que tudo seja transparente e quem precisar ser punido seja punido."
No mesmo evento, a ex-presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Daniella Marques, que também coordena economicamente a campanha de Flávio Bolsonaro (PL), comentou que uma das principais propostas de uma eventual gestão do candidato a presidente é revogar impostos criados pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A ministra declarou que se inspira nas políticas econômicas do presidente da Argentina, Javier Milei, mas comentou que há um compromisso de não mexer em programas sociais.
"Nossa proposta vai ser focada em privilégios, tanto privilégios, enxugamento da máquina pública, privilégios tributários e os técnicos vão levar um cardápio pra que haja discussão com o Congresso. O Congresso é soberano nessa decisão."
Segundo ela, há um respeito por parte da campanha em trabalhar, eventualmente, com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, escolhido pelo presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
"Felizmente a gente teve um avanço institucional na independência do Banco Central. Isso justifica parte da estabilidade econômica que a gente tem, justamente por essa atuação independente, pautada na técnica, com transparência nas decisões."