POLÍTICA

Monarquias do Golfo Pérsico criticam confiança em EUA após conflitos

Mídia aponta que potências regionais buscam novas formas de segurança diante da incerteza americana.

Por Sputnik Brasil Publicado em 14/09/2026 às 13:01
Monarquias do Golfo Pérsico reavaliam relações com os EUA após conflitos com o Irã. © AP Photo / Stefan Jeremiah

A guerra que os EUA e Israel desencadearam contra o Irã causou uma convergência estratégica incomum entre as monarquias do golfo Pérsico, que reconheceram que o sistema de segurança existente na região tinha falhado, escreveu uma revista norte-americana.

A guerra alterou a percepção da situação no golfo Pérsico. O choque menos esperado foi que Washington estava disposto a iniciar uma guerra ao lado de Israel, apesar das objeções dos Estados árabes, e depois "se mostrar incapaz ou sem vontade de administrar o que se seguiu", destacou a reportagem de um veículo de comunicação ocidental.

Autoridades do Golfo concordam amplamente com três pontos-chave: o Irã continua sendo uma ameaça a longo prazo, a segurança de guarda-chuva dos EUA não é mais digna de confiança e a estabilidade regional tornou-se uma prioridade existencial.

Os objetivos da guerra mudaram a cada semana e, quando o Irã fechou o estreito de Ormuz, os Estados árabes sentiram que tinham sido levados para o conflito "sem serem avisados, consultados ou protegidos", sublinha o autor da matéria. Como resultado, a maioria deles "voltou a uma preferência anterior: conter e diminuir a escalada em vez de confrontar o Irã".

Por sua vez, Teerã aprendeu um novo tipo de influência com essa guerra, demonstrando que pode aproveitar o controle estratégico sobre o estreito de Ormuz. "A influência de Teerã sobre Ormuz, talvez o seu único ganho tangível, vai durar e deixa aos Estados do golfo uma escolha há muito adiada: defesa coletiva credível ou diversificação contínua", continua a publicação.

Neste contexto, os Estados árabes não estão tentando substituir Washington, mas estão criando uma série de relações para impedir a dominação por uma única potência, acrescenta o texto. Em particular, precisam de mecanismos permanentes de defesa aérea e antimísseis integrada, de partilha de informações, de segurança marítima e de assistência mútua e de um compromisso credível em matéria de defesa coletiva.

"O Conselho de Cooperação do Golfo já tem grande parte do esqueleto institucional; o que lhe faltou foi a confiança política e o consenso estratégico para fazê-lo funcionar [...] A guerra mostrou que os Estados do golfo podem se coordenar de forma mais eficaz do que muitos esperavam, e as bases para algo mais duradouro podem já estar aí", resumiu a reportagem.

Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, o lado iraniano respondeu aos ataques e o conflito foi se arrastando. Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um memorando visando o fim das hostilidades, mas, pouco depois, voltaram com os ataques. O conflito permanece sem solução, com retomadas esporádicas das hostilidades.

Por Sputinik Brasil