Monarquias do Golfo Pérsico criticam confiança em EUA após conflitos
Mídia aponta que potências regionais buscam novas formas de segurança diante da incerteza americana.
A guerra que os EUA e Israel desencadearam contra o Irã causou uma convergência estratégica incomum entre as monarquias do golfo Pérsico, que reconheceram que o sistema de segurança existente na região tinha falhado, escreveu uma revista norte-americana.
A guerra alterou a percepção da situação no golfo Pérsico. O choque menos esperado foi que Washington estava disposto a iniciar uma guerra ao lado de Israel, apesar das objeções dos Estados árabes, e depois "se mostrar incapaz ou sem vontade de administrar o que se seguiu", destacou a reportagem de um veículo de comunicação ocidental.
Autoridades do Golfo concordam amplamente com três pontos-chave: o Irã continua sendo uma ameaça a longo prazo, a segurança de guarda-chuva dos EUA não é mais digna de confiança e a estabilidade regional tornou-se uma prioridade existencial.
Os objetivos da guerra mudaram a cada semana e, quando o Irã fechou o estreito de Ormuz, os Estados árabes sentiram que tinham sido levados para o conflito "sem serem avisados, consultados ou protegidos", sublinha o autor da matéria. Como resultado, a maioria deles "voltou a uma preferência anterior: conter e diminuir a escalada em vez de confrontar o Irã".
Por sua vez, Teerã aprendeu um novo tipo de influência com essa guerra, demonstrando que pode aproveitar o controle estratégico sobre o estreito de Ormuz. "A influência de Teerã sobre Ormuz, talvez o seu único ganho tangível, vai durar e deixa aos Estados do golfo uma escolha há muito adiada: defesa coletiva credível ou diversificação contínua", continua a publicação.
Neste contexto, os Estados árabes não estão tentando substituir Washington, mas estão criando uma série de relações para impedir a dominação por uma única potência, acrescenta o texto. Em particular, precisam de mecanismos permanentes de defesa aérea e antimísseis integrada, de partilha de informações, de segurança marítima e de assistência mútua e de um compromisso credível em matéria de defesa coletiva.
"O Conselho de Cooperação do Golfo já tem grande parte do esqueleto institucional; o que lhe faltou foi a confiança política e o consenso estratégico para fazê-lo funcionar [...] A guerra mostrou que os Estados do golfo podem se coordenar de forma mais eficaz do que muitos esperavam, e as bases para algo mais duradouro podem já estar aí", resumiu a reportagem.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, o lado iraniano respondeu aos ataques e o conflito foi se arrastando. Em meados de junho, Teerã e Washington assinaram um memorando visando o fim das hostilidades, mas, pouco depois, voltaram com os ataques. O conflito permanece sem solução, com retomadas esporádicas das hostilidades.
Por Sputinik Brasil