EUA querem priorizar programa nuclear nas negociações com o Irã
Discussões sobre estreito de Ormuz devem ser deixadas de lado até que o Irã aceite tratar do nuclear.
A administração Trump quer reorientar futuras negociações entre os EUA e Irã sobre a situação no estreito de Ormuz para o programa nuclear de Teerã, afirmaram três fontes familiarizadas com o assunto a uma mídia norte-americana.
Se bem que, desde o início da sua operação contra o Irã, Washington subestimou a disposição de Teerã de fechar o estreito, agora as suas forças acreditam que têm a vantagem na hidrovia.
"Não queremos falar sobre o estreito, e essa é a posição do governo agora — só vamos falar com vocês se quiserem falar sobre o dossiê nuclear", disse um funcionário norte-americano.
Por sua vez, os iranianos sinalizaram aos atores regionais que estariam abertos a negociações nucleares com os EUA quando a questão do estreito for resolvida, incluindo o levantamento do bloqueio de Washington, disse um interlocutor regional.
"Como resultado, fazer a bola rolar em uma estrutura para reabrir a hidrovia é provavelmente um passo crítico para pavimentar o caminho para as negociações nucleares e um fim geral para a guerra", destaca a mídia.
O programa nuclear de Teerã continua sendo uma das principais questões do conflito bilateral. Washington insiste em suspender o enriquecimento de urânio pelo Irã, bem como em desmantelar instalações que foram danificadas durante a operação Midnight Hammer, realizada em junho de 2025.
Os diplomatas do golfo Pérsico e as autoridades iranianas deviam se reunir na segunda-feira (14) com o fim de discutir, sem a participação dos EUA, um plano de Omã para reabrir o estreito de Ormuz ao tráfego regular de petroleiros. Mas a reunião foi adiada por tempo indeterminado, segundo o ministro das Relações Exteriores de Omã.
Antes dessa reunião, a Arábia Saudita apresentou emendas porque tinha preocupações de que a linguagem proposta pudesse estabelecer um novo status quo que não seria aceitável para Riad ou para outros Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG).
Uma delas é a possibilidade de introdução de pedágios iranianos, que ainda é amplamente rejeitada. Para resolver a questão, a proposta legal de Omã inclui um pagamento voluntário para fornecer segurança de navegação e proteção ambiental.
Apesar disso, a probabilidade de os países do CCG e o Irã apoiarem um plano abrangente para abrir a hidrovia seria praticamente impossível sem a participação dos EUA nas conversas, advertiu a mídia.