POLÍTICA

Ministro aponta indícios de ligação entre PCC e produção de Dark Horse

Flávio Dino destaca investigações sobre desvio de recursos para o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Por Sputnik Brasil Publicado em 13/09/2026 às 14:45
Ministro Flávio Dino destaca indícios de ligação entre o PCC e o filme Dark Horse em despacho. © flickr.com / Gustavo Moreno / STF

Em despacho, ministro destaca que arquitetura criminosa suspeita de desviar recursos para a produção do filme "alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC".

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de vínculos entre a facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e o esquema montado para desviar recursos públicos, sobretudo na forma de emendas parlamentares, para outras finalidades, como a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Relator de uma série de processos que apuram suspeitas de repasses irregulares de emendas a empresas, entidades e ONGs, Dino determinou neste domingo (13) a retirada do sigilo do material reunido pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme, a Go Up Entertainment, da empresária Karina da Gama, que também controla uma empresa contratada pela prefeitura de São Paulo para fornecer pontos de internet.

Em seu despacho, o ministro afirmou que "no curso da investigação se fortalece a hipótese de imbricação indissociável em um sofisticado esquema de destinação e desvio de recursos públicos, com destaque para emendas parlamentares federais e para a Prefeitura de São Paulo". Ele acrescentou que "essa organização alcançaria, inclusive, vínculos com a facção PCC (Primeiro Comando da Capital)".

Dino determinou que todo o conteúdo bruto obtido em operações, incluindo celulares, computadores e documentos, seja transferido para custódia da Polícia Federal (PF). A decisão também obriga o secretário de Segurança paulista a entregar à PF os dados extraídos dos aparelhos apreendidos em junho.

O filme Dark Horse é investigado em dois inquéritos separados em curso no STF. O primeiro investiga o esquema criado pelo dono do banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro, e está sob relatoria de André Mendonça; o segundo, sob relatoria de Dino, investiga irregularidades no uso de recursos de emendas parlamentares.

Na quinta-feira (10), Dino autorizou uma operação da PF para investigar se houve desvio de verba de emendas para a produção do filme. A Polícia Civil de São Paulo divulgou neste domingo um relatório que aponta "consistentes suspeitas" de que recursos públicos de um contrato firmado pela Prefeitura de São Paulo para fornecimento de wi-fi gratuito foram desviados para a produção do filme.

"Há consistentes suspeitas de confusão patrimonial e de que os recursos públicos do programa 'WiFi Livre SP' tenham sido desviados para custear as atividades de produção do referido filme, utilizando as contas das empresas subcontratadas e das demais organizações sociais geridas pela investigada para a lavagem dos valores desviados do erário de São Paulo", diz o relatório.

Entre os alvos a serem investigados pela operação estão Karina Gama e o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo e roteirista do filme. Segundo Dino, as investigações apontam pagamentos feitos por Frias "em montante materialmente incompatível tanto com os rendimentos por ele declarados quanto com os créditos identificados em suas contas bancárias comunicadas".