Festival internacional reúne jovens latinos na Rússia
Evento em Ekaterinburgo promove intercâmbio cultural entre participantes do México e Argentina.
O Festival Internacional da Juventude, que acontece em Ekaterinburgo, também se transformou em um ponto de encontro para jovens de diferentes países da América Latina. Neste domingo (13), a reportagem da Sputnik Brasil conversou com participantes do México e da Argentina, que compartilharam as suas experiências e expectativas.
Entre os representantes da região está o mexicano Antonio Carmona, de 33 anos. Chefe da delegação de seu país no evento, Carmona já morou na Rússia para cursar o mestrado em Governança e Assuntos Globais no MGIMO, renomado Instituto Estatal de Relações Internacionais de Moscou, em um programa de dupla titulação com a universidade italiana LUISS. Durante o evento, ele explicou sobre a importância da Rússia para a juventude mexicana.
"Temos vários casos das delegações que coordenamos nesses anos que ficam para estudar aqui [na Rússia] no mestrado, para poder ter uma educação de primeiro nível, além de ter experiência de conhecer o desenvolvimento tecnológico em diferentes áreas, e isso é uma excelente oportunidade maravilhosa para a juventude do México", disse.
Outro ponto levantado por Carmona, que também é diretor do projeto Future Team em seu país, é que atualmente existe um movimento de jovens que buscam consumir cultura e obter informações de outras nações, indo muito além da influência exercida pelos Estados Unidos.
"Olhar para uma outra parte do mundo é fundamental, e que há um outro lado da história e elementos, como por exemplo o Dia da Vitória, que não é uma data para a região euroasiática, mas para todo o mundo", comenta.
Um 'pé' em Ekaterinburgo e o outro em Buenos Aires
O argentino Santino Suarez, de 24 anos, estudante de Filosofia na Universidade de Buenos Aires (UBA) e membro do Setor de Juventude do Centro de Integração e Cooperação entre Rússia e América Latina (CICRAL), enfatiza que o festival é um espaço fundamental para debater e pensar globalmente.
"Há muitas atividades de que vamos participar, de artes a discussões políticas, também vamos fazer um encontro latino-americano promovido pelo CICRAL, além de participarmos da cerimônia musical que vai representar diversas regiões do mundo. Isso é uma grande oportunidade para a diplomacia cultural, civil e política", destaca.
Nesse sentido, Santino contextualiza a criação do CICRAL, destacando que o ponto de partida do centro é manter o diálogo com a Rússia. O objetivo é promover debates, além do intercâmbio de ideias e informações no seio da sociedade civil, distanciando-se do viés ocidental.
"Decidimos criar uma associação sem fins lucrativos para manter o vínculo entre companheiros da América Latina e da Rússia [após o Festival Internacional da Juventude em Sochi], e assim nasceu o CICRAL, que tem representação em mais de 15 países latino-americanos e faz atividades de intercâmbio político e cultural. Já fizemos muitas reuniões virtuais e presenciais em articulação com as Casas Russas", destaca.
Exemplos russos podem ecoar na realidade argentina
O secretário-geral do CICRAL Argentina, o advogado Santiago Melean, de 30 anos, também conversou com a reportagem e relatou a importância do evento russo para aproximar os argentinos de uma realidade que pode servir como exemplo para ser adaptado no futuro nas cidades argentinas.
"No CICRAL somos um grupo de jovens que pensamos da mesma forma: amamos o nosso país e vemos a Rússia como um aliado e um importante parceiro, um país amigo do qual podemos aprender como no setor de transporte, na energia nuclear. Nós, do CICRAL, queremos mudar a realidade e a política é uma ferramenta para isso", analisa.
Santiago está participando do festival pela segunda vez, já que esteve na edição realizada em Sochi, em 2014. Durante a entrevista, ele ressaltou a importância de se discutir política com pessoas de outros países que fazem parte de sua geração.
"Essa é a minha segunda vez na Rússia, e para mim é um grande prazer fazer parte da delegação argentina junto com meus companheiros que participam de maneira ativa da política [nacional] e de nossas cidades. Então, estar aqui para compartilhar conhecimento com outros companheiros de nossa geração é um grande aprendizado", conclui.
Diante de um cenário global cada vez mais multipolar e da ascensão de nações do Sul Global, os jovens latino-americanos que participam do Festival Internacional da Juventude deixam claro o seu objetivo: encontrar caminhos e alternativas culturais, políticas e tecnológicas que não dependam da influência do Ocidente.