Defesa de Flávio Bolsonaro tenta concentrar investigações sobre Dark Horse
Senador fez quatro pedidos ao STF para que processos fossem sob responsabilidade de Mendonça.
Relatório da PF revela mensagens encontradas no celular de Vorcaro nas quais o presidenciável e o banqueiro tratavam de encontros presenciais e pagamentos atrasados para o filme.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro, candidato à presidência da República pelo PL, fez pelo menos quatro tentativas, em menos de um mês, de concentrar no ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), as investigações em curso no tribunal referentes ao financiamento do filme Dark Horse.
Segundo noticiou a CNN Brasil, entre os dias 3 e 28 de julho, os advogados do senador enviaram quatro solicitações ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, requisitando que todas as frentes da investigação ficassem a cargo de Mendonça.
O primeiro pedido foi feito antes do dia 22 de julho, quando ainda não havia investigação contra Flávio Bolsonaro sobre o filme no STF. Na ocasião, os advogados do candidato fizeram a solicitação após o ministro Flávio Dino autorizar a Polícia Federal (PF) a investigar a suspeita de repasses de emendas parlamentares a empresas ligadas à produtora do filme.
Dino é relator de uma série de processos que apuram suspeitas de repasses irregulares de emendas a empresas, entidades e ONGs. Já Mendonça conduz as investigações sobre o caso Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
A defesa de Flávio Bolsonaro justificou o primeiro pedido, que retiraria o caso de Dino, argumentando que Mendonça já era relator de outras duas ações envolvendo Dark Horse no tribunal.
Um relatório da PF, feito a partir de conteúdo retirado do celular de Vorcaro e relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apontou uma relação próxima de Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O documento aponta uma série de encontros presenciais, ligações e trocas de mensagens diretas entre o presidenciável e Vorcaro.
O relatório consta entre os materiais do inquérito sobre o filme no STF que teve o sigilo retirado por Mendonça. Segundo os investigadores, Flávio Bolsonaro não atuou como uma terceira pessoa nas negociações, mas sim como interlocutor direto de Vorcaro em pedidos de aporte financeiro para a produção do filme.
Segundo a PF, a atuação de Flávio foi desde a cobrança por repasses atrasados até reuniões presenciais com o banqueiro. O relatório lista dez contatos entre o candidato e o banqueiro entre agosto e novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso, nos quais ambos se chamavam de "irmão" e tratavam de agendamentos de reuniões presenciais e pagamentos.
Flávio Bolsonaro vem afirmando publicamente que a captação de recursos do filme foi uma negociação entre atores privados, sem irregularidades, e defende a retirada total do sigilo das investigações envolvendo o filme.