CULTURA

Estudantes brasileiros no Festival Internacional da Juventude na Rússia

Delegação brasileira participa do evento que reúne jovens de diversas partes do mundo em Ekaterinburgo.

Por Sputnik Brasil Publicado em 12/09/2026 às 12:23
Estudantes brasileiros encantados com a cultura russa durante festival em Ekaterinburgo. © Sputnik Brasil / Rennan Rebello

O evento, que acontece na cidade de Ekaterinburgo, reúne milhares de jovens de diversas partes do mundo, tendo o Brasil como uma das principais delegações da América Latina. Ao longo deste sábado (12), a reportagem da Sputnik Brasil conversou com alguns desses participantes, que se mostraram encantados pela cultura russa.

O sonho de infância do estudante de ciência política Gabriel Mendes, de 21 anos, de Brasília, finalmente se tornou realidade: ele está na Rússia. Durante a entrevista, o jovem revelou como começou essa paixão à distância pelo país.

"Estou realizando um sonho, é como se eu estivesse olhando para aquele Gabriel pequenininho e falando: 'caramba, cara, a gente está na Rússia, a gente conseguiu'. Eu sempre quis estar aqui. Desde garoto eu tinha um fascínio pela cultura russa, pelas roupas e pelo estilo de dança. Sempre tive curiosidade para conhecer esse lado tão 'gelado' do mundo", disse.

Gabriel também relata que o festival lhe proporcionará um legado inestimável, tanto na vida pessoal quanto na acadêmica. Para ele, a oportunidade de construir uma rede de contatos internacionais e o convívio diário com a realidade russa trarão referências valiosas para contribuir com o seu próprio trabalho no Brasil.

"Para a minha formação, talvez traga a melhor coisa, que é a relação, a oportunidade de fazer networking com pessoas que trabalham na área internacional, além de conhecer melhor a realidade da Rússia e aprender com a realidade de outro país em coisas que no Brasil não funcionam tão bem", comenta.

Rio Grande do Sul também marca presença no evento

Pela segunda vez em Ekaterinburgo, Lucas Cardoso, de 26 anos, já havia participado da edição anterior, em Nizhny Novgorod. Morador de Campina das Missões (RS), cidade fundada em 1909 por imigrantes russos, e integrante do Grupo Troika, focado na difusão do folclore russo, ele comentou que, apesar de não ter ascendência russa, está totalmente imerso nessa cultura, tendo adotado inclusive a ortodoxia como religião.

"Não tenho nenhum sangue russo e me mudei para Campina aos 22 anos. Sou ortodoxo e ajudo na igreja. Além disso, faço parte do grupo Troika, do qual sou dançarino, ajudando na divulgação da cultura russa. Esse festival mostra uma outra Rússia, e estar aqui hoje ajuda a romper barreiras e combater preconceitos", destaca.

Já o também gaúcho Gleison Pires, de 23 anos, que está agora em São Paulo cursando o mestrado em Ciência da Computação, apontou que os debates sobre tecnologia são o que mais tem chamado sua atenção no festival. Ele destacou as inovações produzidas pela Rússia, afirmando que os avanços do país podem servir de exemplo, inclusive para o Brasil.

"Tem muita coisa nova com a qual a gente não tem contato, e quero entender como [a Rússia] usa tecnologia sem depender de multinacionais estrangeiras. Hoje, no Brasil, a gente ainda não tem um mercado tecnológico soberano, inclusive nossa Internet depende de tecnologia estrangeira. Então, trazer um pouco da soberania ao Brasil, adotando o modelo russo, tem muito a agregar ao nosso mercado interno", observa.

'Passaporte de culturas': Brasil, China, Índia e Rússia

O jovem Felipe Conceição, de 28 anos, estuda relações internacionais em Brasília e já acumula uma longa experiência internacional de quando trabalhava como modelo. Assim, quando surgiu a oportunidade de ir a Ekaterinburgo, ele não pensou duas vezes antes de se candidatar para participar do festival.

"Eu já estive em outros países, como China e Índia. E eu tinha interesse de conhecer a Rússia porque é um país que influencia de diversas maneiras. Acho que a gente, na América Latina, é bastante influenciado pelo Ocidente, e agora a gente vê uma mudança de cenário com países do Sul Global se organizando e, de pouco a pouco, estamos conseguindo reverter essa influência [restrita ao Ocidente]", conclui.

Apesar dos estereótipos sobre a Rússia, alimentados em grande parte pela indústria cultural ocidental, os jovens do Sul Global dão outra resposta. Ao participarem dos debates e frequentarem os pavilhões de inovação tecnológica, audiovisual e esportiva, eles demonstram o desejo de desbravar novas culturas, deixando o preconceito de lado.