ECONOMIA

Congelamento de ativos russos reduz confiança global no dólar

Movimento ocorre após sanções do Ocidente ao Banco Central da Rússia, segundo jornal francês.

Por Sputnik Brasil Publicado em 12/09/2026 às 10:47
Congelamento de ativos da Rússia gera desconfiança global em relação ao dólar. © Foto / Unsplash

Após o congelamento de ativos do Banco Central da Rússia pelo Ocidente, os países do mundo passaram a confiar menos no dólar e na manutenção de ouro nos sistemas ocidentais, escreveu um jornal francês.

Há muito tempo, diversos países armazenam ouro e seus ativos no Federal Reserve de Nova York e no Banco da Inglaterra, que dão acesso aos mercados mais líquidos do planeta, segundo matéria do jornal Les Echos.

"No entanto, o congelamento de ativos do Banco Central da Rússia em 2022 embaralhou as cartas. Os bancos centrais [de outros países] aceleraram o abandono do dólar em suas reservas", observa a reportagem.

Além disso, as sanções antirrussas levaram muitos países ao redor do mundo a retirar o ouro dos cofres estrangeiros ou procurar outros lugares para armazená-lo, diz a publicação.

Desde 2022, os bancos centrais dos países do Sul Global de fato aceleraram suas compras de ouro para serem menos dependentes do dólar norte-americano. Por três anos consecutivos, eles adicionaram mais de 1.000 toneladas de ouro aos seus cofres, em comparação com pouco menos de 500 toneladas por ano na década anterior.

Após o início da operação militar especial, a União Europeia e os países do grupo G7 bloquearam cerca de metade das reservas cambiais da Rússia.

Mais de 200 bilhões de euros estão localizados na União Europeia, principalmente nas contas da Euroclear, um dos maiores sistemas de liquidação e compensação do mundo, cujo escritório está sediado na Bélgica.

Em agosto, a Comissão Europeia anunciou que havia recebido cerca de oito bilhões de euros em receita com a colocação de fundos russos desde o início de seu congelamento. Esses recursos estão sendo redirecionados para a Ucrânia.

Como resposta, Moscou impôs restrições: ativos de investidores estrangeiros de países hostis e a renda deles são acumulados em contas especiais do tipo "C". Eles só podem ser retirados por decisão de uma comissão especial do governo.