Deputado pede investigação ao STF sobre financiamento da campanha de Flávio
Lindbergh Farias fundamenta pedido em supostas informações sobre financiamento estrangeiro à campanha do senador.
O deputado federal e vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), apresentou nesta sexta-feira (11) ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia de fato para pedir a apuração de um suposto financiamento estrangeiro da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL).
A solicitação tem como base informações divulgadas pela imprensa sobre a atuação da Rockbridge Network, rede de financiadores políticos dos Estados Unidos. No documento, Lindbergh afirma que as acusações públicas justificam uma investigação formal. Segundo ele, o caso envolve uma disputa entre candidatos à Presidência e, por isso, tanto a eventual entrada irregular de recursos estrangeiros quanto uma possível acusação falsa de crime contra Flávio deveriam ser apuradas.
Durante uma sabatina no UOL, o candidato à Presidência pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou que a Rockbridge teria oferecido apoio a candidaturas brasileiras e posteriormente ingressado na campanha de Flávio. "Eu tenho provas da relação do grupo que envolve o senhor Tallis Gomes, um coach empresarial ligado ao Flávio Bolsonaro, com um rapaz chamado Pedro Sang e outras pessoas com a Rockbridge nos Estados Unidos", afirmou.
O documento também menciona declarações do ex-deputado estadual Arthur do Val (Missão) sobre supostos recursos estrangeiros destinados a campanhas brasileiras. Lindbergh destaca que os citados nas reportagens negaram a existência de repasses, embora tenham confirmado contatos, reuniões e viagens relacionadas à Rockbridge.
A legislação brasileira não permite que campanhas eleitorais recebam financiamento de origem estrangeira, tanto de forma direta quanto indireta, seja por "doações em dinheiro ou estimáveis em dinheiro provenientes de entidade ou governo estrangeiro".
Viagens e contatos com a Rockbridge
Segundo a ação enviada pelo deputado petista, Pedro Sang confirmou manter contato com a rede estadunidense, mas negou ter intermediado recursos para campanhas políticas. Ele afirmou ter se aproximado da Rockbridge por meio de André Marinho (Novo), candidato ao governo do Rio de Janeiro e filho de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado.
André Marinho, de acordo com o documento, confirmou ter conhecido Chris Buskirk, um dos fundadores da Rockbridge, e viajado a Dallas, nos Estados Unidos, a convite da organização. Segundo ele, a viagem teve como objetivo conhecer a entidade e avaliar uma possível instalação no Brasil.
Tallis Gomes, apontado como responsável por aproximar a Rockbridge do Brasil, também negou ter atuado para levantar recursos para a campanha de Flávio. De acordo com o documento apresentado ao STF, ele afirmou dialogar com diferentes campanhas sem adesão formal a nenhuma delas.
Lindbergh pede que Renan Santos e Arthur do Val sejam ouvidos para apresentar os elementos que fundamentaram as acusações. Também solicita os depoimentos de Tallis Gomes, Pedro Sang e André Marinho sobre a natureza dos contatos, viagens e reuniões com integrantes da rede norte-americana.
Pedido inclui dados financeiros e eleitorais
Entre as diligências solicitadas está o acesso às prestações de contas da campanha presidencial de Flávio e do diretório nacional do PL, com informações sobre doadores, fornecedores e repasses internos. O deputado também pede ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) relatórios de inteligência financeira sobre Tallis Gomes, Pedro Sang e duas empresas ligadas a Sang.
Outra medida solicitada é a obtenção, junto à Polícia Federal (PF), dos registros de entrada e saída do país das pessoas citadas nas reportagens, incluindo informações sobre viagens internacionais e seus respectivos pagadores.
Lindbergh ainda pede cooperação jurídica com os Estados Unidos para obter informações sobre a Rockbridge, seus dirigentes, subsidiárias e eventuais transferências de recursos para o Brasil ou pessoas ligadas ao país.
O documento também sugere a análise de contratos de serviços da campanha nas áreas de marketing digital, produção de conteúdo, tecnologia e infraestrutura de dados, com o objetivo de verificar a compatibilidade entre os valores declarados e os preços praticados.
Por fim, o deputado solicita que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie a abertura de investigação e que, caso o STF entenda não ser competente para analisar o caso, os autos sejam encaminhados às autoridades eleitorais responsáveis.
A campanha de Flávio ainda não se manifestou sobre a acusação.