ECONOMIA

Petróleo encerra em baixa após alta de 9% na semana com tensão no Oriente Médio

Os preços do petróleo caíram nesta sexta-feira após atingir patamares elevados devido a conflitos na região.

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/09/2026 às 15:59
Petróleo Ilustração de IA

O petróleo fechou em queda nesta sexta-feira, 11, numa possível correção parcial após o forte aumento durante a semana impulsionado pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Uma ofensiva da milícia houthis, do Iêmen, contra regiões próximas ao Estreito de Bab-al-Mandeb colocou em risco o fluxo marítimo no trecho, que era a principal alternativa ao Estreito de Ormuz.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para outubro fechou em queda de 2,3% (US$ 2,43), a US$ 100,05 o barril.

O petróleo Brent para novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), encerrou em queda de 2,81% (US$ 3,02), a US$ 104,61 o barril.

Na semana, o WTI e o Brent saltaram 9,37% e 8,65%, respectivamente.

Os houthis chegaram nesta sexta-feira à ilha de Perim, em Bab al-Mandeb, num avanço que pode ampliar o controle sobre a rota marítima. Forças do governo ienemita teriam se retirado da ilha, segundo a Reuters, enquanto os houthis também tomaram Dhubab, no Mar Vermelho.

Em resposta, mais de 100 conselheiros militares dos EUA estão na Arábia Saudita fornecendo inteligência e apoio estratégico na definição de alvos contra os houthis, informou a CNN.

Ministros das Relações Exteriores do Golfo devem se reunir com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em Omã na segunda-feira, conforme reportado pelo Financial Times.

O encontro faz parte dos esforços para obter apoio regional a um acordo temporário para a navegação em Ormuz.

A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a escassez no mercado de produtos refinados é "mais aguda", classificando o choque na oferta de petróleo bruto como "insignificante" em comparação com produtos como diesel e gasolina. A entidade prevê, em relatório, quedas mais acentuadas no consumo e na oferta mundial de petróleo neste ano.

Para o analista da Raymond James, Pavel Molchanov, os dados da AIE sobre a demanda de petróleo colocam as perdas em pé de igualdade com os declínios combinados de 2008/09 durante a crise financeira global. "Uma parte da destruição dessa demanda pode ser permanente", alerta ele.

Segundo a Reuters, o governo dos EUA avalia como usar uma legislação de defesa para ampliar a capacidade de refino de petróleo no país, diante da vulnerabilidade da oferta global e disparada dos preços de combustíveis.