Guerra no Oriente Médio e juros: riscos para inflação e crescimento
Dirigente do Banco Central Europeu alerta sobre os impactos persistentes na economia da zona do euro.
O prolongamento da guerra no Oriente Médio pode manter a inflação da zona do euro elevada por mais tempo, mas novas altas expressivas de juros também trazem riscos relevantes para o crescimento, afirmou nesta sexta-feira, 11, o dirigente do Banco Central Europeu (BCE) e presidente do Banco Central da Irlanda, Gabriel Makhlouf.
Em publicação no blog da instituição irlandesa, Makhlouf explicou que apoiou a alta de 25 pontos-base anunciada na quinta-feira, que levou a taxa de depósito a 2,5%.
Segundo ele, a inflação cheia da zona do euro acelerou de 2,9% em julho para 3,3% em agosto, em meio à persistência dos preços de energia, enquanto o núcleo recuou apenas levemente, a 2,4%.
Makhlouf avaliou que os efeitos indiretos do choque de energia sobre cadeias produtivas e custos das empresas devem aparecer de forma gradual na inflação, embora em intensidade menor que no episódio de 2021 a 2024. Ele também citou riscos de pressão adicional sobre alimentos por fatores climáticos, como o El Niño.
As novas projeções do BCE elevaram a trajetória esperada para a inflação e adiaram o retorno à meta de 2%. Ao mesmo tempo, o crescimento tem se mostrado resiliente, com a projeção para o PIB da zona do euro em 2026 revisada para 0,9% e estimativa de 1,4% em 2027.
Para Makhlouf, porém, "elevar os juros muito mais a partir daqui pode trazer custos reais em termos de crescimento".
Ele destacou que as condições financeiras já estão mais apertadas e que o mercado de trabalho esfria. Por isso, defendeu que o BCE mantenha a abordagem reunião a reunião, sem compromisso prévio com uma trajetória específica para os juros, acompanhando a persistência do choque de energia, os salários e a transmissão das altas já realizadas.