BRICS pedem reformas no FMI e no Banco Mundial
Ministros das Finanças do bloco destacam a necessidade de adaptação das instituições ao cenário global atual.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial precisam passar por reformas para que sua estrutura de gestão se adapte às transformações da economia mundial ocorridas desde sua criação, segundo comunicado dos ministros das Finanças e dos presidentes dos bancos centrais dos países do BRICS.
O texto destaca que, diante do aumento da participação dos países em desenvolvimento na produção e no crescimento econômicos mundiais, a reforma da governança econômica global continua sendo uma prioridade constante do bloco.
"Continuaremos fortalecendo a coordenação entre os membros do BRICS para tornar as instituições financeiras internacionais mais representativas, transparentes e responsáveis", ressalta o comunicado.
O documento destaca a necessidade urgente de reformar as instituições de Bretton Woods — o FMI e o Banco Mundial. As reformas visam torná-las mais flexíveis, eficazes, confiáveis, imparciais e legítimas.
A estrutura de governança dessas instituições deve ser reformada, considerando a transformação da economia mundial desde sua criação. A representatividade dos países em desenvolvimento deve refletir sua posição relativa na economia global, conclui o comunicado.
O sistema de Bretton Woods, que surgiu após a Segunda Guerra Mundial, garantiu a recuperação da economia de muitos países. Houve a transição para um novo sistema de pagamentos baseado no uso do dólar e na eliminação do ouro nas transações.
Nesse contexto, foram criados o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, instituição de crédito do Banco Mundial, e o FMI, que estabeleceu certas regras no âmbito das finanças internacionais.
O número de votos de cada país na administração do Banco Mundial e do FMI é determinado pelas cotas. Das cotas também dependem o montante das obrigações financeiras e o acesso ao financiamento desses países.
O Conselho de Administração do FMI faz revisões periódicas das cotas, redistribuindo as participações de acordo com o PIB dos países participantes. A China e a Índia são os países mais interessados, mas os Estados Unidos se opõem, pois receiam abrir mão do poder de veto. Atualmente, os países em desenvolvimento, incluindo a China, detêm menos da metade do capital do FMI.