43% dos moradores do Nordeste nunca ouviram falar do El Niño, aponta pesquisa da Nexus
Depois de explicação, 53% dos nordestinos relataram muito medo das consequências do fenômeno climático, maior percentual entre todas as regiões
Pesquisa da Nexus mostra que 43% dos nordestinos não conhecem o El Niño. O desconhecimento é o maior entre todas as regiões do país junto com os moradores do Norte e maior do que a média nacional, de 36%. Entre quem conhece o fenômeno, 12% disseram que acompanham muito o tema, 13% acompanham um pouco, 6% sabem o que é, mas não acompanham e 16% já ouviram falar, mas sabem pouco. Outros 10% não souberam responder.
O El Niño é um fenômeno climático natural que acontece quando as águas do Oceano Pacífico se aquecem mais do que o normal, mudando a circulação dos ventos e alterando o clima. Previsto para se intensificar a partir dos últimos meses do ano, a formação do “super El Niño” pode produzir fenômenos extremos, como o aumento de fortes chuvas, ondas de calor, estiagens prolongadas e processos de erosão costeira, afetando diferentes regiões do Brasil.

Mesmo com o desconhecimento sobre o El Niño de quase metade dos nordestinos, 52% acreditam que o clima na região mudou muito no último ano. Para 59% as ondas de calor intenso foram o principal efeito sentido e 21% citaram as enchentes. A seca prolongada (17%) e tempestades de vento (5%) também foram consequências percebidas nos últimos meses. Outros 11% disseram não notar nenhum evento extremo.
Metade dos nordestinos tem muito medo dos impactos do El Niño
Depois da explicação sobre o El Niño, metade dos moradores do Nordeste (53%) disseram ter muito medo (5 em escala de 1 a 5) dos impactos do El Niño no Brasil, maior percentual entre todas as regiões e acima da média nacional de 47%. Apenas 14% disseram não ter nenhum medo (1 em escala de 1 a 5). Os entrevistados deveriam escolher um número de 1 a 5 em que 1 era “nenhum medo” e 5 era “muito medo” das consequências do fenômeno no Brasil.
O medo se justifica na percepção de preparo das cidades pelos entrevistados: 66% acreditam que o governo local não está nada preparado para lidar com as consequências de eventos climáticos extremos. Outros 13% acreditam que o local em que vivem está muito pouco preparado, 6% parcialmente preparado e apenas 5% disseram que suas cidades estão totalmente preparadas para a chegada de eventos como o El Niño.

Entre os principais receios dos nordestinos, o medo da inflação nos alimentos é o maior deles, preocupação de 79% de quem vive na região. Depois disso aparecem a percepção de vulnerabilidade na saúde com doenças por enchentes e problemas respiratórios (77%), medo do aumento da conta de luz (75%), da falta de água (69%) e da falta de infraestrutura nas cidades (67%).
“A pesquisa deixa claro que a preocupação do nordestino vai muito além do clima em si, mas pesa no bolso e passa pela insegurança de condições de moradia e pela saúde da população, que não se sente amparada pelo poder público”, aponta o CEO da Nexus, Marcelo Tokarski.
METODOLOGIA
Foram realizadas 2.000 entrevistas presenciais, com abordagem face-a-face domiciliar e coleta de dados georreferenciados. A pesquisa foi realizada com amostra representativa de todos os estados, controlada, estratificada e segmentada por sexo, idade, renda e região.