DENÚNCIA

Caso de estupro em entrevista de estágio se arrasta há sete anos na Justiça

Advogada Marcela Ribeiro relata abuso por parte do advogado Silvio Nei durante seleção para estágio.

Por Estadao Conteudo Publicado em 10/09/2026 às 14:52
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

A advogada Marcela Ribeiro Santos Macedo, de 28 anos, aguarda há 7 anos o desfecho de uma investigação de estupro em que é vítima. Marcela acusa o advogado Silvio Nei Oliveira da Silveira, de 50 anos, de ter cometido o crime durante uma entrevista de estágio em um escritório de advocacia em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador.

O episódio ocorreu em 4 de outubro de 2019, segundo Marcela. À época, com 22 anos e estudante de Direito em uma faculdade particular, ela compareceu ao escritório de Silvio Nei para participar de uma seleção de estágio.

Em entrevista ao jornal A Tarde, o advogado Silvio Nei rebateu as acusações e afirmou que a denúncia é inconsistente.

"Nunca tive uma pontuação criminal antes na minha vida, de nenhuma natureza. Então, cheguei a 43 anos sem ela. Judicialmente, criminalmente é o primeiro processo que eu tenho. Tive processo de divórcio, de alimentos, como qualquer ser humano, processo contra empresas, cobrança de empresa, mas, criminalmente, essa é a primeira pontuação com 43 anos e exercido a profissão de advogado", declarou ao jornal.

Marcela relata que, durante a conversa sobre sua vida pessoal e atuação na área jurídica, o advogado encomendou vinho por aplicativo para comemorar a possível contratação e o aniversário dela, ocorrido no dia anterior. A garrafa chegou lacrada e foi aberta na sua frente. Tempos depois, Silvio teria solicitado que o porteiro do prédio comprasse outra garrafa de vinho, alegando não ter abridor no escritório.

Após consumir a bebida do copo servido pelo advogado, ela começou a passar mal, foi ao banheiro vomitar e, em seguida, perdeu a consciência. Ao acordar, notou o advogado limpando a parede da sala. Marcela foi levada até a sua residência e, no dia seguinte, ao acordar sem se lembrar com clareza dos fatos, foi alertada pela mãe sobre hematomas no pescoço e no seio.

"Minha mãe conversou comigo, (disse) que eu cheguei sem me aguentar em pé, tremendo, falando embolado. E ela me perguntou: 'Marcela, o que aconteceu?' Eu falei: 'Eu não sei o que aconteceu. Eu já bebi outras vezes e eu nunca fiquei nesse estado. Quando eu peguei o celular, minha mãe falou: 'Marcela, seu pescoço tá roxo cheio de chupões'," relatou nas redes sociais.

Orientada por um professor de Direito Penal, a jovem realizou exames de corpo de delito e registrou o boletim de ocorrência na 23ª Delegacia Territorial de Lauro de Freitas.

DNA e laudos toxicológicos

O jornal A Tarde divulgou um laudo de perícia que detectou sêmen no canal vaginal da vítima e confirmou que o perfil genético encontrado na amostra é compatível com o DNA de Silvio Nei, obtido por meio de um copo descartável recolhido em seu escritório.

A ação penal tramita na 1ª Vara Criminal de Lauro de Freitas em segredo de Justiça. Em nota, o Tribunal de Justiça da Bahia diz que "o processo mencionado tramita em segredo de Justiça".

"Por essa razão, o Tribunal de Justiça não se manifesta sobre o caso, cujo acesso aos autos é restrito às partes, aos advogados e aos órgãos competentes. Esclarecimentos adicionais devem ser solicitados ao Ministério Público do Estado da Bahia ou à delegacia responsável pelas investigações, respeitados os limites legais", complementou.