POLÍTICA

Flávio Bolsonaro usa crise do STF para impulsionar campanha

Candidato tenta minimizar foco no caso Master enquanto aliados pedem cautela após ataques a ministros.

Por Sputnik Brasil Publicado em 10/09/2026 às 11:21
Flávio Bolsonaro utiliza crise no STF para fortalecer sua candidatura à presidência. © Lula Marques/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro explora a crise no STF para fortalecer sua campanha e reduzir o foco sobre o caso Master, enquanto aliados pedem moderação após ataques a Dino e cobranças a Fachin, temendo que o tom comprometa a estratégia de afastá‑lo da imagem de revanche contra a Corte.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, tem explorado a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) como eixo de sua campanha, usando o conflito entre ministros para deslocar parte do foco das investigações do caso Master.

Apesar do entusiasmo público, um jornal de grande circulação no país apurou que aliados adotam cautela e monitoram novos elementos ligados ao banco, aconselhando o candidato a moderar ataques à Corte.

A preocupação cresceu após declarações em Juiz de Fora, quando Flávio acusou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentar vencer "no tapetão", disse que a Polícia Federal (PF) estaria sendo usada politicamente e atacou o ministro Flávio Dino pela decisão que recolocou Andrei Rodrigues no comando da corporação. O candidato também cobrou publicamente que Fachin suspendesse a liminar de Dino e convocasse o plenário.

O presidente do Supremo, Edson Fachin, porém, derrubou as decisões de Dino e André Mendonça e manteve Andrei no cargo. Aliados avaliam que Flávio deve continuar criticando ministros, mas sem transformar a ofensiva em ataque generalizado ao STF, evitando a imagem de revanche caso seja eleito e preservando canais institucionais com a Corte.

Segundo a apuração, a campanha vê a crise como oportunidade política, já que o embate entre Moraes, Mendonça e Dino deslocou o debate para o STF e mobiliza a base de Flávio. Mas exagerar no confronto pode colidir com o esforço recente de apresentar o candidato como alguém que não pretende promover vingança. Ele próprio afirmou que o STF "não precisa ter medo" de uma eventual vitória sua.

Nos bastidores, cresce a atenção ao caso Master. Aliados afirmaram à mídia que Flávio apresentou sua versão sobre a relação com Daniel Vorcaro, mas admitem que não é possível prever quais novos elementos podem surgir. A possibilidade de quebra ampla de sigilo, defendida por Lula, aumentou o alerta na campanha.

A leitura interna é que a abertura total do sigilo dificilmente ocorrerá. Para aliados de Flávio, Lula busca se posicionar como defensor da transparência sem se alinhar integralmente a nenhum dos lados da crise no STF, evitando assumir compromisso direto com uma solução específica.

Mesmo assim, o caso preocupa o entorno do candidato, já que as investigações alcançam outros nomes políticos, como Ciro Nogueira (PP) e Cláudio Castro (PL). Não há denúncias contra eles, mas a campanha teme o imprevisível avanço das apurações, especialmente ao recordar que Flávio negou ligação com Vorcaro, de início, depois veio à tona não apenas sua relação com o ex-banqueiro, como seu pedido de mais de R$ 130 milhões para a realização da cinebiografia de Jair Bolsonaro — com a revelação da troca de áudios e visita à casa de Vorcaro em SP, já com tornozeleira eletrônica.

A crise também trouxe novos fatos sobre o financiamento do filme "Dark Horse". Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, confirmou ter feito sete transferências que somaram US$ 12,3 milhões (mais de R$ 67,4 milhões) para o fundo Havengate, ligado a aliado de Eduardo Bolsonaro.

PF e Procuradoria-Geral da República (PGR) investigam se parte dos recursos poderia ter financiado o autoexílio de Eduardo nos EUA. A decisão de Dino que reintegrou Andrei à PF citou a necessidade de preservar diligências do caso e evitar interferências externas.