POLÍTICA

Cobranças por transparência no caso Master marcam debate eleitoral

Lula, Caiado, e o PT pedem a divulgação de investigações, enquanto Flávio Bolsonaro e Zema criticam decisões de ministros.

Por Sputnik Brasil Publicado em 09/09/2026 às 22:06
Lula e Caiado pedem quebra de sigilo em investigações do Banco Master. © Rovena Rosa/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o candidato à presidência Ronaldo Caiado (PSD) e o Partido dos Trabalhadores manifestaram, nesta quarta-feira (9), a necessidade de quebrar o sigilo das investigações relacionadas ao Banco Master. A medida se dá em meio a um embate entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a condução do caso. Outros presidenciáveis, como Romeu Zema (Novo) e Flávio Bolsonaro (PL), também se pronunciaram sobre a situação.

Lula enfatizou a urgência da "quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master", enquanto Caiado protocolou uma petição no STF solicitando a transparência nas apurações, que envolvem também fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e outros assuntos que tocam agentes públicos.

"É urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade."

O presidente também fez críticas aos chamados "vazamentos seletivos", afirmando que a transparência é fundamental, especialmente considerando o impacto que as informações podem ter na disputa eleitoral de 2026.

A petição do PT foi encaminhada aos ministros André Mendonça e Flávio Dino, relatores da ação relacionada ao caso. Os advogados do partido argumentam que a manutenção do sigilo gera uma "publicidade seletiva" e questionam a atuação de Mendonça, apontando uma diferença de tratamento na divulgação de informações, onde dados que favorecem Flávio Bolsonaro estariam expostos enquanto os que envolvem o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro permanecem sob sigilo.

Para o PT, a divulgação parcial dos autos pode afetar a disputa eleitoral, pois permite que partes escolham quais informações são apresentadas ao público e em que momento. Assim, os advogados consideram que a publicação integral dos documentos seria vital para confrontar o que já foi divulgado com o conteúdo completo das investigações.

Reações dos presidenciáveis

Ronaldo Caiado (PSD) também se manifestou a respeito, reiterando a necessidade de fim do sigilo das investigações ligadas ao Banco Master e fraudes no INSS. Em sua petição, ele defendeu que a manutenção do sigilo impede que os eleitores tenham acesso a informações cruciais que poderiam influenciar a seleção de candidatos em 2026.

"Não faz sentido que o povo brasileiro vá às urnas às cegas. É absolutamente necessário que se abra aos olhos do Brasil tudo o que a Polícia Federal já tem, pois o eleitor precisa saber dos fatos para julgá-los no seu sufrágio."

Caiado ainda comparou a falta de informações à desinformação, destacando que, assim como fake news prejudicam o processo eleitoral, a ausência de informações públicas compromete a formação da opinião dos eleitores. "Tão nociva quanto são as fake news, a ausência de informações ou a interdição a elas mostram-se igualmente prejudiciais".

O presidenciável Romeu Zema (Novo) também se posicionou sobre os desdobramentos relacionados à Polícia Federal, embora não tenha se dirigido diretamente a Flávio Dino. Ele publicou uma charge em suas redes sociais criticando a cobertura da imprensa sobre o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, uma decisão de Mendonça.

A imagem sugere "dois pesos, duas medidas" na forma como a situação foi apresentada, comparando-a a uma decisão de 2020, quando Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem, indicado para a PF por Jair Bolsonaro (PL).

Por fim, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitou uma intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, referente à direção da PF, aguardando a suspensão da decisão de Dino que reconduziu Rodrigues ao cargo. No entanto, Flávio não reivindicou a quebra de sigilo.

Vale lembrar que o senador é um dos políticos que mantiveram contato com Vorcaro, cujas conexões passaram a ser alvo de interesse após a divulgação de conversas e informações do celular do empresário nas investigações, especialmente em relação ao financiamento de uma produção cinematográfica do pai, o filme Dark Horse. O caso então adquiriu relevância eleitoral por envolver um dos candidatos à presidência em 2026.