POLÍTICA

Merz critica partido alemão de extrema-direita por campanha de 'limpeza étnica'

Chanceler alemão se manifesta após vitória da AfD em eleição estadual, destacando riscos à economia.

Por Estadao Conteudo Publicado em 09/09/2026 às 16:45
Friedrich Merz © Foto / X / @_FriedrichMerz / Friedrich Merz

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, acusou o partido de extrema-direita Alternative für Deutschland (Alternativa para a Alemanha) de buscar a "limpeza étnica" com sua campanha de "remigração", após a vitória do partido em uma eleição estadual no fim de semana.

Merz afirmou em discurso no Parlamento alemão que o partido de extrema-direita daria uma machadada em um dos pilares da economia alemã com uma campanha racista de deportações em massa.

"O termo 'remigração' nada mais é do que um sinônimo para limpeza étnica baseada na origem e na cor da pele", disse ele nesta quarta-feira, 9, sob aplausos dos outros partidos no Bundestag, a câmara baixa do parlamento.

No primeiro discurso parlamentar após a vitória da legenda de extrema-direita, Merz afirmou que o termo "remigração" nada mais é do que um sinônimo para expulsão baseada em origem e cor da pele.

Ao responder às interrupções da bancada da AfD, o chanceler argumentou que o afastamento de trabalhadores estrangeiros paralisaria setores essenciais do país. Merz declarou que, sem os imigrantes, hospitais, asilos, comércios e o setor de serviços técnicos perderiam a capacidade de operação.

Representantes do German Economic Institute endossaram a avaliação, apontando que a retirada de mão de obra afeta diretamente regiões que enfrentam envelhecimento populacional.

A declaração ocorreu em um ambiente de forte polarização no Parlamento. A co-líder da AfD, Alice Weidel, afirmou no mesmo debate que o eleitorado "pulverizou" a União Democrata-Cristã (CDU), partido do chanceler, e declarou que a população exige uma mudança na política de imigração. Em contrapartida, integrantes do governo acusaram a AfD de manter ligações com o Kremlin e de silenciar diante de investigações sobre atos de sabotagem e campanhas de desinformação atribuídas à Rússia em solo alemão.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou em sua rede Truth Social que os eleitores alemães se cansaram de regras de imigração "horríveis" e utilizou o termo "MGGA" (Make Germany Great Again). Como reação, o governo alemão adiou um telefonema entre Merz e Trump. O porta-voz da chancelaria, Stefan Kornelius, declarou que o adiamento não ocorreu por motivos de agenda, mas por rejeição a interferências externas na política do país.

Apesar de ter conquistado 39 das 83 cadeiras do parlamento de Saxônia-Anhalt, a AfD necessita de mais três assentos para alcançar a maioria absoluta. O candidato do partido ao governo local, Ulrich Siegmund, iniciou contatos com parlamentares de outras siglas. No entanto, as demais legendas mantêm a posição de não formar coligações com a AfD.

*Com informações de agências internacionais.