FRAUDE

CVM aplica multa de R$ 32,5 milhões a Vorcaro e Banco Master por irregularidades

Ex-banqueiro e instituição financeira são punidos por operação fraudulentas no fundo Brazil Realty.

Por Sputnik Brasil Publicado em 08/09/2026 às 20:33
CVM impõe multa de R$ 32,5 milhões a Vorcaro e Banco Master por fraude em fundo imobiliário. © Divulgação / Acessar o banco de imagens

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou nesta terça-feira (8) o ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pagar multa de R$ 20 milhões por uma operação fraudulenta envolvendo o fundo imobiliário Brazil Realty. Já o Banco Master foi condenado a pagar R$ 12,5 milhões no mesmo processo que apura a hipervalorização de ativos do fundo.

O julgamento analisou a terceira emissão do Brazil Realty, que captou R$ 139,1 milhões. Desse total, cerca de 78% (R$ 109 milhões) foram integralizados com ativos, incluindo ações de empresas, terrenos e cotas de outras sociedades. Segundo a acusação, os valores atribuídos a esses ativos foram artificialmente inflados com base em laudos considerados falsos, inconsistentes ou inadequados.

De acordo com o relatório do diretor da CVM João Accioly, a operação teria ocorrido em três etapas. Primeiro, os ativos foram incorporados ao fundo por valores considerados artificialmente elevados. Depois, empresas ligadas aos envolvidos passaram a negociar as cotas no mercado secundário, criando liquidez para os papéis. Por fim, as cotas chegaram a investidores que, segundo a acusação, absorveram prejuízo de R$ 5,8 milhões.

Um dos casos analisados envolve a Talent Construções, que integralizou ações avaliadas em R$ 28,7 milhões. No dia seguinte, a empresa começou a vender cotas do fundo para a Entre Investimentos, em operações que teriam proporcionado uma valorização de 22,2% em um único dia e gerado ganho de R$ 6,1 milhões para a Talent.

O Banco Master participou da emissão com integralizações exclusivamente em dinheiro e declarou aportes de R$ 16,8 milhões. A CVM identificou quatro subscrições que, somadas, chegavam a R$ 2,65 milhões e não apareciam como entradas na conta do fundo analisada pela área técnica. Duas delas, de R$ 500 mil cada, permaneceram sem comprovação.

O relatório também aponta que o Banco Master, Daniel Vorcaro e a Viking Participações atuaram como contrapartes em negociações no mercado secundário. Segundo a acusação, o banco teve ganho estimado de R$ 10,8 milhões nessas operações, enquanto a Viking registrou ganho de R$ 836,8 mil. Vorcaro, individualmente, teve resultado negativo de R$ 6,8 milhões.

Defesas contestaram acusações

As defesas do Banco Master, Daniel Vorcaro e Viking negaram durante o julgamento a existência de fraude e afirmaram que as negociações ocorreram a preços de mercado. Os acusados também contestaram a existência de conluio e disseram que a acusação não demonstrou os elementos necessários para caracterizar uma operação fraudulenta.

A defesa de Vorcaro sustentou ainda que não houve individualização de sua conduta nem comprovação de dolo e, diante disso, o ex-banqueiro "teria sido responsabilizado" principalmente pelos cargos que ocupava.

Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel, e Felipe Cançado Vorcaro, primo do empresário, também estão entre os acusados no processo, que reúne empresas e outros participantes da operação. Além da suposta fraude, a CVM apurou possíveis violações de deveres fiduciários e informacionais e embaraço à fiscalização.