Diretores da PF apresentam pedido de exoneração após afastamento de Andrei Rodrigues
Decisão ocorre após determinação do STF que afastou diretores da Polícia Federal.
Onze diretores da Polícia Federal (PF) divulgaram nesta terça-feira (8) uma nota na qual colocam os cargos à disposição após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinar o afastamento do diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da PF, Leandro Almada.
Conforme publicado pelo portal g1, 11 dos 15 diretores da corporação assinaram a nota. Além de Andrei e Leandro, não estão no documento a corregedora-geral, Aletea Vega Marona Kunde, e o diretor-executivo, William Murad, que assumiu a Polícia Federal.
"Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto."
Além do afastamento, Mendonça ordenou a abertura imediata de procedimentos criminais e disciplinares para investigar relatórios sigilosos produzidos pela PF que monitoravam autoridades, e suspendeu qualquer elaboração ou compartilhamento de documentos de inteligência voltados a analisar a atuação de magistrados ou da advocacia pública.
Segundo o ministro, ao menos seis relatórios foram enviados ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes entre 3 e 31 de agosto de 2026, revelando que o próprio relator do Inquérito das Fake News vinha sendo monitorado de forma sistemática e ilícita. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também foi alvo de "coleta dirigida", com análises que insinuavam motivações políticas e até religiosas para suas decisões — acusações que Mendonça classificou como "surreais" e "abjetas".
Outro ponto considerado gravíssimo foi o vazamento de informações sigilosas. Os relatórios continham detalhes sobre investigações envolvendo Antonio Rueda e ACM Neto, do União Brasil, revelando potenciais medidas cautelares antes de sua execução. Mendonça afirmou que a divulgação "frustrou completamente" a eficácia das investigações e prejudicou o trabalho da PF.
Murad diz que a verdade vai prevalecer
O diretor-executivo da PF declarou nesta terça-feira que o modo de trabalho da instituição, baseado na autonomia e na imparcialidade, permite que a corporação se defenda de "disparates, ataques, tentativas de usurpação de funções e de desqualificar o trabalho" da organização.
"Saber que trabalhamos estritamente dentro da lei, comprometidos exclusivamente com o interesse público, nos mantém confiantes de que a verdade dos fatos, que buscamos incansavelmente em nossas investigações, prevalecerá."
Conforme publicado pela Agência Brasil, Murad destacou durante a abertura do 63º Curso de Formação Profissional para agentes da PF que é dever dos agentes "defender a nossa instituição de ataques e de tentativas de usurpações de funções", reafirmando "total confiança" em Andrei.
"O respeito às atribuições de cada instituição no âmbito do sistema de Justiça criminal garante a legalidade e a lisura das investigações e das futuras condenações criminais. Não se trata de interesse meramente institucional ou corporativo. É o interesse público no cumprimento da lei e na manutenção do sistema democrático."