ENERGIA

Custos e insegurança limitam transporte de petróleo via Síria, aponta analista

Ali Arif Akturk analisa viabilidade do oleoduto e os desafios na região.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/09/2026 às 16:20
Analista discute viabilidade do transporte de petróleo por oleodutos na Síria. © Delil Souleiman

Especialista aponta custos bilionários, insegurança na região e longo prazo para construção de novas rotas de transporte de petróleo

A utilização de oleodutos que atravessem a Síria para transportar petróleo do Golfo Pérsico não seria capaz de substituir o estreito de Ormuz, segundo o analista turco Ali Arif Akturk, ex-chefe do departamento de compras da estatal de petróleo e gás da Turquia, Botaş.

Em entrevista à Sputnik, Akturk afirmou que existem duas possibilidades para transportar petróleo por via terrestre através da Síria, mas que nenhuma delas seria uma alternativa viável no curto prazo diante das condições atuais da região.

Uma das opções seria reconstruir o oleoduto Kirkuk-Baniyas, que liga o Iraque ao litoral sírio e está fora de operação. Segundo o analista, a recuperação da infraestrutura exigiria cerca de US$ 15 bilhões, valor que poderia superar o custo de construção de um novo oleoduto.

A segunda alternativa seria construir uma nova estrutura. Nesse caso, o projeto levaria entre quatro e cinco anos para ser concluído. Para Akturk, o prazo é excessivo diante da volatilidade dos conflitos no Oriente Médio.

"Dentro desses quatro ou cinco anos, o conflito no próprio estreito de Ormuz acabará, e a situação na região em geral de novo mudará."

O especialista também destacou que a Síria ainda não apresenta um ambiente seguro para investimentos estratégicos de grande porte. A instabilidade elevaria tanto os custos de operação quanto os gastos necessários para garantir a segurança da infraestrutura.

Além dos obstáculos financeiros e de segurança, Akturk apontou um fator geopolítico. Segundo ele, um novo oleoduto através da Síria concorreria com a rota iraquiano-turca já existente, o que dificultaria o apoio de Ancara ao projeto, considerando a influência turca na região.

A discussão sobre possíveis rotas alternativas ganhou força diante das ameaças dos Estados Unidos de buscar alternativas ao transporte marítimo pelo estreito de Ormuz. A passagem é uma das principais rotas para o comércio mundial de petróleo e conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã.

Para o analista turco, porém, as limitações de infraestrutura, os custos elevados e a instabilidade regional tornam as rotas pela Síria insuficientes para substituir o papel estratégico desempenhado por Ormuz.