POLÍTICA

Lula apoia Haddad em ato em São Paulo e critica adversários

Presidente enfatiza propostas de Haddad e defende políticas para mulheres durante evento em São José do Rio Preto.

Por Sputnik Brasil Publicado em 05/09/2026 às 14:49
Evento de apoio a Fernando Haddad com a presença do presidente Lula em São José do Rio Preto, SP. © Divulgação / Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou neste sábado (5) de um ato de campanha em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ao lado do candidato petista ao governo estadual, Fernando Haddad. Durante o discurso, Lula reforçou o apoio ao ex-ministro e direcionou críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), seu principal adversário na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

Ao defender Haddad, Lula afirmou que conhece "pouca gente no país com a capacidade de se preparar para tratar da educação e da verdade como o Haddad" e disse que o petista "merece ser governador de São Paulo". O presidente também questionou a preferência de parte do eleitorado paulista por Tarcísio, a quem chamou de "um cara do Rio de Janeiro".

"É uma coisa tão abominável que venha um cara do Rio de Janeiro, um tenente do Exército, que não sabia sequer a escola que ia votar, e o povo de São Paulo preferir ele do que um companheiro formado na USP", afirmou Lula. Em seguida, desafiou os apoiadores a apontarem obras realizadas pelo governador no estado.

Lula também ironizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao comentar as medidas comerciais adotadas por Washington contra o Brasil.

"Se ele está preocupado com o Brasil, é só fazer um Pix para ajudar."

Durante o ato, o presidente ainda defendeu políticas de proteção às mulheres e afirmou que o combate ao feminicídio será uma prioridade. "Homem que bate mulher tem que ser preso", declarou. Lula também destacou a participação feminina na política e citou as candidaturas de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) ao Senado por São Paulo.

"É a primeira vez que São Paulo tem a chance de eleger duas candidatas ao Senado. As mulheres nunca estiveram tão em alta na política desse país."

Haddad, por sua vez, adotou um tom mais duro contra adversários e associou o Banco Master a nomes ligados aos governos de Jair Bolsonaro (PL). Sem citar diretamente Tarcísio, afirmou que o então candidato ao governo paulista recebeu doações de campanha relacionadas ao banco.

"Três ministros, o presidente do Banco Central, o candidato a governador de São Paulo e o candidato à Presidência da República, todo mundo pôs o dinheiro, pôs a mão no dinheiro do Master", disse Haddad. Em seguida, classificou o caso como uma "máfia" e afirmou que o banco teria sido estruturado para "se perpetuar no poder".

As acusações estão relacionadas a uma proposta de delação apresentada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e rejeitada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Segundo o relato, Vorcaro teria afirmado que doou R$ 3 milhões à campanha de Tarcísio em 2022 para manter o contrato do Credcesta, cartão de crédito consignado do Master, com o governo de São Paulo. O governador nega ter tido qualquer contato ou relação com Vorcaro.

Gilberto Kassab, apontado no relato como responsável por articular a suposta operação, também negou as acusações e classificou a versão como "absolutamente fantasiosa". O governo de São Paulo afirmou repudiar qualquer insinuação de irregularidade ou favorecimento e disse que o credenciamento do Credcesta ocorreu com base em critérios objetivos.

Haddad também atacou o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), citando a compra de imóveis pelo senador e o financiamento do filme "Dark Horse", sobre Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos a Daniel Vorcaro.

O ato reuniu cerca de 8 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar. O calor intenso afetou parte do público, e algumas pessoas precisaram de atendimento médico. Nas proximidades do evento, o deputado Paulo Bilynskyj (PL) realizou uma manifestação com um público menor.

Antes do ato político, Lula visitou as instalações do Hospital de Amor, em Barretos, também no interior paulista. Em discurso, exaltou o Sistema Único de Saúde (SUS), relembrou a pandemia de Covid-19 e criticou o governo Jair Bolsonaro pela condução da crise sanitária.