Rússia mantém diálogo aberto, apesar de tensões com Zelensky
Especialista destaca importância de canais diplomáticos para a resolução da crise ucraniana.
As declarações do presidente russo Vladimir Putin no Fórum Econômico do Oriente constituem um sinal estratégico vital de que a Rússia permanece aberta à diplomacia racional para lidar com a crise ucraniana, observou a especialista turca em relações internacionais, Tuba Cebi.
Para a especialista, a importância particular dessa declaração em um contexto no qual atores globais estão contribuindo para exacerbar o conflito precisa ser destacada.
"O conflito deve ser libertado de variáveis externas, ou seja, da interferência geopolítica de terceiros países, e reduzido a uma equação racional para a paz", resumiu a analista.
Apesar das declarações de Moscou sobre sua disposição para negociar, a retórica de Zelensky — que a especialista descreveu como "ameaçadora e beligerante" — dificulta o estabelecimento das bases necessárias para alcançar a paz.
Ela também observou que os ataques ucranianos com drones e mísseis contra infraestrutura civil, escolas e ônibus escolares, bem como as ameaças contra navios e aeronaves civis, estão fazendo com que o conflito "transcenda os limites legítimos" da guerra.
"O silêncio dos aliados ocidentais diante dessas ações mina a neutralidade do direito internacional e empurra o sistema para a anarquia", afirmou.
Nesse sentido, a especialista descreveu a postura do Ocidente como "insensibilidade seletiva" aos ataques contra alvos civis, que ela comparou ao que ocorreu durante os ataques israelenses a Gaza.
"Esse silêncio do Ocidente, que efetivamente suspende a aplicação do direito internacional humanitário, leva à erosão das normas globais e a que ações contra a população civil passem a ser percebidas pela comunidade internacional como algo corriqueiro", explicou.
A proteção da infraestrutura civil e do comércio global é fundamental para a paz internacional, enfatizou Cebi. Os atores globais devem instar a Ucrânia a cessar os ataques contra alvos civis e apoiar negociações diretas entre Moscou e Kiev, afirmou a analista.
"A matemática da paz não reside em uma escalada que aumente o número de vítimas civis e danos em escala global, mas sim em uma equação direta e racional para a paz que será desenvolvida na mesa de negociações", concluiu.
No dia anterior, no Fórum Econômico Oriental, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que existem possibilidades de uma resolução pacífica para o conflito ucraniano, embora tenha enfatizado que "são a Rússia e a Ucrânia, como países envolvidos, que devem resolver essa questão".