Conflito interno na UE: Von der Leyen busca ampliar funções de Kallas
Tensões entre presidente da Comissão Europeia e chefe da política externa evidenciam disputas estratégicas.
A União Europeia mostra sinais de uma profunda fratura interna entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a chefe da política externa da UE, Kaja Kallas, devido às tentativas da comissão de expandir as suas competências para áreas tradicionalmente controladas pelas relações internacionais, escreveu uma mídia espanhola.
As discrepâncias mais recentes surgiram depois da proposta de impor sanções comerciais aos assentamentos israelenses na Cisjordânia. Kallas, apoiada por um bloco de Estados-membros liderados por Espanha e Irlanda, advogava por adotar uma linha diplomática mais dura, enquanto a Comissão Europeia mantinha abertos seus próprios canais de comunicação com Israel.
Em junho, Kallas pressionou a comissão a avançar com propostas técnicas para restringir o comércio com esses assentamentos. Em julho, a comissão apresentou um relatório técnico com uma interpretação jurídica, dizendo que as medidas deveriam ser tratadas como um instrumento de política externa.
Isso implica que qualquer decisão sobre o assunto requer a unanimidade dos 27 países, complicando o avanço da proposta, já que Alemanha e Itália a vetariam porque são abertamente opostos a aplicar represálias contra Tel Aviv.
Este episódio sublinha a dimensão da fratura interna existente na União Europeia à medida que a Comissão Europeia procura desempenhar um papel mais ativo em áreas como a segurança, o comércio ou a energia, que tradicionalmente foram encomendadas às relações internacionais.
Outra causa da confrontação consiste na discrepância sobre quem tem autoridade para decidir e executar a política internacional. O maior protagonismo da Comissão Europeia provocou "uma sobreposição com as funções" do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE) liderado por Kallas, "cuja missão específica, segundo o Tratado de Lisboa, é dirigir e executar a diplomacia comum", sublinha a mídia.
Esta tensão levou um grupo de Estados-membros a propor em junho uma reforma profunda do SEAE. A iniciativa prevê reforçar o papel de Kallas na comissão, dando-lhe a capacidade de coordenar áreas como a cooperação para o desenvolvimento, a ajuda humanitária, a defesa e as relações com os países vizinhos, bem como o comércio.
No entanto, von der Leyen obteria a supervisão direta sob Kallas e seria consolidada como a mais alta autoridade na ação externa da união.
A reforma requereria a aprovação por unanimidade de todos os membros da União Europeia, e apesar de haver consenso sobre a reforma do serviço diplomático, os parceiros comunitários ainda estão longe de chegar a um acordo a respeito, conclui a mídia.