POLÍTICA

Propostas polêmicas ganham destaque nas eleições de 2026

Campanha presidencial é marcada por sugestões controversas de candidatos como Renan Santos e Romeu Zema.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/09/2026 às 13:30
Candidatos apresentam propostas polêmicas nas eleições de 2026. © Foto / Agência Brasil / Agência Senado

Faltando um mês para o primeiro turno das eleições de 2026, a campanha presidencial brasileira tem sido marcada por propostas e declarações que extrapolam o debate tradicional sobre economia, saúde e segurança.

A Sputnik Brasil listou as ideias que mais provocaram reação na imprensa, redes sociais e nos debates públicos:

1. Brasil com bomba atômica

Uma das propostas mais controversas partiu de Renan Santos (Missão). O candidato defendeu que o Brasil desenvolva armas nucleares como instrumento de soberania e projeção internacional.

Santos afirmou que o país deveria considerar um programa para produzir armas atômicas e chegou a defender a possibilidade de abandonar compromissos internacionais de não proliferação. A proposta entra em choque com a Constituição brasileira, que determina que as atividades nucleares no país tenham fins pacíficos.

A ideia também aparece no programa de governo do candidato, que fala em transformar o Brasil em potência e buscar liderança no chamado Sul Global por meio do domínio do ciclo nuclear.

2. 'Banho de sangue' contra facções e regime de exceção nas favelas

O candidato Renan Santos também fala explicitamente em um regime de exceção em determinadas favelas e em operações de "retomada territorial" para combater organizações criminosas. A controvérsia está justamente no equilíbrio entre combate ao crime e preservação das garantias constitucionais.

Ele afirmou que promoveria um "banho de sangue" contra criminosos e defendeu uma ofensiva contra organizações como PCC e Comando Vermelho.

Santos propõe operações de retomada territorial em regiões dominadas pelo crime organizado, inclusive com a possibilidade de utilização do Estado de Defesa e regime de exceção em determinadas áreas. Também fala em endurecimento das leis penais e construção de grandes presídios. A proposta está relacionada ao chamado "Direito Penal do Inimigo", conceito que aparece no programa de governo do candidato.

3. Fim do voto universal e 'democracia familiar'

Outra proposta associada ao partido Missão provocou uma das maiores controvérsias da campanha: a substituição do voto universal por uma chamada "democracia familiar".

A proposta é mudar o modelo de um eleitor/um voto e adotar uma forma de representação em que o voto estaria vinculado à família ou ao domicílio, substituindo o sufrágio universal. Entretanto, o voto direto, secreto, universal e periódico é protegido como cláusula pétrea pela Constituição brasileira.

4. Castração química para estupradores

Na segurança pública, outra proposta que ganhou destaque foi a castração química. Flávio Bolsonaro passou a defender a medida durante a campanha como uma forma de aumentar a punição para crimes sexuais.

A proposta é controversa por envolver questões constitucionais, direitos fundamentais e a discussão sobre eficácia de tratamentos hormonais como instrumento de prevenção da reincidência.

5. Privatização total, maioridade penal e saída do BRICS

No campo econômico, o presidenciável Romeu Zema (Novo) apresenta uma agenda igualmente radical, embora de natureza diferente. Seu programa prevê privatização total de estatais, incluindo Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, redução de gastos e impostos e flexibilização das leis trabalhistas.

Na segurança, Zema também defende endurecimento penal e combate militarizado às facções, além de propor mudanças na relação entre o SUS e a rede privada e limitar poderes do STF.

O programa do ex-governador de Minas Gerais apresenta ainda redução da maioridade penal para 16 anos e a criação de alternativas à CLT, com maior flexibilidade nas relações de trabalho, com possibilidade de jornadas superiores a oito horas diárias. Prevê também nova reforma da Previdência, o fim dos fundos partidário e eleitoral e a saída do Brasil do BRICS.

6. 'Meu Botox, Minha Vida' e 'Supremo do Povo'

Chamaram atenção na campanha do candidato Wilson Grassi (Democrata) um programa de botox gratuito para mulheres de baixa renda e mudanças na composição do STF, com a inclusão de representantes de diferentes profissões.

No programa, Grassi defende que o "Meu Botox, Minha Vida" seja oferecido pela rede pública como uma política voltada à autoestima feminina, enquanto o "Supremo do Povo" prevê uma reformulação da Corte, com ministros de diferentes áreas profissionais e mandatos definidos.

As ideias integram uma plataforma que também defende que parlamentares recebam R$ 1 milhão por mês, em troca da extinção de emendas parlamentares e de outras verbas e benefícios para gerar economia para os cofres públicos.

7. Robôs no Estado, drones contra feminicídio e influenciadores diplomatas

O candidato Augusto Cury (Avante) também trouxe propostas polêmicas voltadas para tecnologia: a substituição progressiva de servidores públicos por sistemas de IA, adoção de consultas remotas para cobrir 80% do atendimento básico no Sistema Único de Saúde (SUS).

Ele também defendeu drones contra o feminicídio com monitoramento e prevenção de crimes de gênero utilizando frotas de drones autônomos e propôs que o corpo diplomático seja ocupado por influenciadores digitais focados na imagem externa.