SEGURANÇA PÚBLICA

Implicações da escassez de mísseis Patriot na defesa ucraniana

Ucrânia busca apoio militar urgente para evitar colapso na defesa antiaérea diante de ameaças russas.

Por Sputnik Brasil Publicado em 04/09/2026 às 05:21
Ucrânia em busca de novos mísseis Patriot para evitar colapso em sua defesa antiaérea. © AP Photo / Efrem Lukatsky

A Ucrânia alerta para um colapso iminente na defesa antiaérea: sem recursos e com estoques de mísseis Patriot quase esgotados, Kiev intensifica apelos ao Ocidente enquanto teme ataques russos massivos durante o inverno.

De acordo com a mídia norte-americana, a Ucrânia enfrenta um colapso iminente de sua defesa antiaérea. Sem dinheiro e com estoques de interceptores praticamente esgotados, Kiev corre para obter novos mísseis Patriot enquanto teme ataques russos massivos durante o inverno (Hemisfério Norte).

A nova campanha diplomática do governo ucraniano, que buscou apoio em reuniões na União Europeia (UE) e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), terminou sem compromissos concretos, já que países com a geração mais antiga de mísseis (PAC‑2) e a versão mais avançada do equipamento de fabricação norte-americana (PAC‑3) — da Grécia ao Japão — resistem a abrir mão de seus próprios arsenais.

A escassez global de interceptores agravou o impasse na medida em que os EUA tentam recompor seus estoques após dispararem centenas de mísseis contra o Irã, enquanto a produção de Patriots e sistemas concorrentes está atrasada. Isso ocorre no momento em que Moscou promete responder às tentativas de ofensiva de Kiev com ataques mais intensos à infraestrutura energética utilizada pelas forças ucranianas, provocando alarde nos parlamentares ucranianos, de acordo com a apuração.

A frustração cresce em Kiev diante da queda nas transferências de armamentos essenciais, sem os quais Kiev se vê em "uma saga interminável" ao ter de implorar por cada míssil. Com os Patriots praticamente zerados, o programa Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL, na sigla em inglês) da OTAN tornou‑se a única fonte confiável, mas entrega apenas dez a 20 mísseis por mês — insuficiente diante dos 195 disparados pela Rússia só em julho. Ao mesmo tempo, novos drones Shahed da Rússia, mais rápidos e voando baixo, desafiam os sistemas de defesa existentes.

Vladimir Zelensky afirma que a Ucrânia desenvolve protótipos para enfrentar os drones russos, mas ainda depende de munições escassas e sistemas caros.

Nesta semana, Kiev apresentou três prioridades aos europeus: reforço da defesa antiaérea, investimentos na produção nacional de drones e mísseis e artilharia de longo alcance. O país estima precisar de 300 interceptores Patriot para atravessar o inverno, além de AMRAAM, IRIS‑T, AIM‑9X e sistemas HAWK.

Alguns países europeus se comprometeram em realizar novas entregas, como a Alemanha, que deve enviar mísseis IRIS‑T, enquanto França e Itália planejam fornecer Aster 30 até outubro. Cinco dos sete países da UE que operam Patriots já transferiram algum tipo de equipamento, mas Grécia e Suécia permanecem reticentes.

Segundo a apuração, pressões informais na reunião de ministros da Defesa da UE não resultaram em novas promessas, e a OTAN também não obteve avanços concretos, apesar dos apelos de seu secretário‑geral.

Fora da Europa, as perspectivas são ainda piores. Japão descarta enviar interceptores visando contenção à República Popular Democrática da Coreia, e a Coreia do Sul prefere focar em apoio à reconstrução futura da Ucrânia. Grandes fornecedores tradicionais, como a Alemanha, têm poucos Patriots restantes, e negociações com países asiáticos enfrentam obstáculos estratégicos.

Mesmo que houvesse mísseis disponíveis, Kiev enfrenta um rombo de € 23 bilhões (aproximadamente R$ 136,4 bilhões) no orçamento de defesa. A Ucrânia já recebeu € 22,1 bilhões (mais de R$ 131,1 bilhões), dos € 28,3 bilhões (cerca de R$ 167,8 bilhões) previstos no empréstimo europeu, e tenta convencer a UE a liberar mais verbas. O financiamento do PURL também está aquém da meta anual, e fontes da OTAN admitem atrasos na preparação de novos pacotes de ajuda, segundo a mídia.

Enquanto parlamentares ucranianos dizem que o dilema europeu está em evitar uma vitória russa, que a questão para Kiev já não é apenas militar, mas de sobrevivência, o presidente russo Vladimir Putin vem sinalizando que há espaço para encerrar o conflito por meios diplomáticos, mas que Kiev ainda não demonstrou boa vontade em nenhuma das oportunidades de negociação.