Investigação aponta gastos extravagantes de Cláudio Castro
Relatório da PF revela despesas com caviar e adega em inquérito sobre a Refit.
A Polícia Federal encontrou registros de gastos com caviar, obras e uma adega de R$ 249 mil ao investigar a relação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) com a Refit. O relatório que embasou a segunda ação de busca e apreensão contra Castro também aponta despesas e imóveis pagos ou registrados em nome de terceiros.
Segundo a investigação, a proximidade entre Castro e o empresário Ricardo Magro, dono da refinaria, começou pouco depois de o então governador assumir o cargo, em 2020. Mensagens obtidas pela PF mostram contatos diretos entre Castro, Magro e pessoas ligadas à empresa.
Em maio de 2025, após participar de um evento patrocinado pela Refit, Castro chamou Magro de amigo em uma mensagem. No início da semana, a Justiça do Rio de Janeiro decretou a falência das empresas que faziam parte do Grupo Refit, considerado um dos maiores devedores de impostos do país e cujo processo de recuperação judicial estava em andamento desde 2015. As dívidas ultrapassam R$ 52 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões somente com o governo fluminense.
A PF afirma que a relação ultrapassava o contato institucional e, conforme o relatório, Castro acompanhava demandas da refinaria em órgãos estaduais e mantinha contato direto com um advogado ligado à empresa. Em abril de 2025, os dois conversaram sobre a regularização fiscal da companhia.
Os registros também mostram uma tentativa de marcar uma reunião com um integrante da Agência Nacional de Petróleo (ANP) em outubro de 2020. Na ocasião, foi citada uma despesa de R$ 10.500 com caviar comprado em São Paulo. O pagamento foi feito pelo advogado Antônio Carlos da Conceição Santos, conhecido como Pipo.
Outro ponto da investigação envolve um imóvel em Petrópolis alugado de um empresário cuja empresa possui contratos com o Estado. A PF afirma que Castro determinava detalhes da reforma como se fosse o proprietário do local, que teve entre as obras a construção de uma adega de R$ 249 mil.
A polícia levanta suspeita semelhante sobre a cobertura na Barra da Tijuca para onde Castro se mudava quando foi alvo da segunda busca. O contrato previa aluguel mensal de R$ 10 mil, enquanto a PF afirma que imóveis semelhantes custavam entre R$ 20 mil e R$ 29 mil.
Para os investigadores, terceiros, empresas patrimoniais e estruturas negociais poderiam ter sido usados para ocultar a titularidade de ativos e custear despesas privadas de Castro, em circunstâncias compatíveis com mecanismos de lavagem de capitais.
O sigilo da investigação foi retirado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A defesa de Cláudio Castro negou que o ex-governador tenha participado de esquema de lavagem de dinheiro, recebido vantagem indevida ou favorecido terceiros. Segundo os advogados, os gastos mencionados pela PF foram regulares.