ECONOMIA

Senado aprova PLP que altera regras fiscais com Redata

Projeto permite inclusão do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter nas flexibilizações orçamentárias.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/09/2026 às 19:57
Senado Federal Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O Senado aprovou nesta quinta-feira, 3, por 66 votos favoráveis e nenhum contrário, um projeto de lei complementar (PLP) que autoriza a inclusão do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData) nos regimes especiais favorecidos com a flexibilização das regras orçamentárias. Segundo a equipe econômica do governo, a proposta permite renúncias de receita acima do limite estabelecido por lei, desde que já previstas no Orçamento ou que tenham compensações na forma exigida pela legislação.

A Lei Orçamentária Anual (LOA) deste ano prevê renúncia de R$ 5,2 bilhões associada ao ReData em 2026. Ou seja, a peça orçamentária deste ano já incorporava essa perda de receitas com o regime especial.

Agora, o projeto seguirá para sanção presidencial, uma vez que já tinha sido aprovado pela Câmara pouco antes. O texto complementa outra proposta aprovada pelo Congresso na última terça-feira, 1º, que cria o ReData.

Durante a tramitação na Câmara, o relator, deputado Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), também incluiu entre as exceções a restrições fiscais em 2026 a desoneração do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devidos pelas sociedades resseguradoras locais. No parecer, o parlamentar argumentou que o objetivo é "viabilizar a apreciação de proposições voltadas à correção de assimetria tributária hoje existente entre as resseguradoras locais e as resseguradoras eventuais e admitidas, sediadas no exterior".

Segundo Bulhões, "enquanto as primeiras se submetem integralmente à legislação tributária nacional, com carga combinada de IRPJ e CSLL superior a 40%, as demais atuam no mercado brasileiro sem o recolhimento desses tributos no País". Na mesma sessão desta quinta-feira, o Senado aprovou um projeto de autoria do próprio emedebista que reduz a alíquota da CSLL das resseguradoras locais e afasta a incidência do adicional do IRPF. Esse texto também segue para sanção presidencial.

O relator acrescentou ainda um trecho que altera a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para dispensar a exigência de que municípios com até 65 mil habitantes estejam adimplentes para receber transferências voluntárias. "A medida reconhece que o rigor inflexível no bloqueio de repasses asfixia a gestão pública local, punindo a população com a interrupção de serviços e investimentos essenciais em razão das conhecidas vulnerabilidades financeiras e estruturais dessas prefeituras", diz Bulhões, em seu parecer.

O projeto também prevê benefícios tributários em 2026 que se enquadrem no regime tributário para áreas de livre comércio. O relator excluiu um trecho que incluía entre as ressalvas a licença-paternidade e salário-paternidade - a ampliação dessa licença já foi viabilizada por projeto aprovado pelo Congresso em março.

No Senado, o projeto foi relatado pelo líder do PT, Camilo Santana (CE).