PREVIDÊNCIA

Governo Federal anuncia que fila do INSS foi 'zerada', mas 224 mil pedidos ainda aguardam

Ministro Wolney Queiroz afirma que espera superior a 45 dias não foi completamente eliminada.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/09/2026 às 19:27
Pedro França/Agência Senado

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta quinta-feira, 3, que o governo federal conseguiu 'zerar' a fila de pedidos por benefícios do INSS, uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo ele, o número de pedidos em análise em agosto foi menor do que os novos requerimentos registrados no mês anterior. Entretanto, a pasta ainda considera como 'fila' uma espera maior do que o prazo legal de 45 dias, que permanece não zerada.

Atualmente, há cerca de 224 mil pedidos de benefícios da Previdência com mais de 45 dias de espera. Queiroz destacou que este número representa "um resíduo dentro de um conjunto gigantesco". "A fila de beneficiários acima de 45 dias, que era de 1,8 milhão em fevereiro, se transformou em um resíduo de pouco mais de 200 mil, que são casos mais complexos", afirmou durante um evento no Palácio do Planalto, ao lado de Lula.

O ministro ressaltou que sempre haverá pessoas aguardando uma resposta do INSS, pois novos pedidos entram diariamente. "Zerar a fila é quando temos menos gente esperando do que a quantidade de gente que entrou no mês anterior. O que era fila se transforma em fluxo de atendimento. Isso aconteceu em agosto deste ano", explicou.

Queiroz também informou que o ministério alcançou uma média de 1,295 milhão de pedidos por mês em agosto. O pico deste ano foi em fevereiro, com 3,128 milhões de requerimentos pendentes.

O ministro observou um aumento significativo no número de pedidos nos últimos anos. "Em 2023, a média mensal foi de 897 mil pedidos, em 2025 subiu para 1,1 milhão e agora em 2026 estamos com uma média mensal de 1,3 milhão de pedidos", relatou.

Além disso, Queiroz destacou cinco medidas que, segundo ele, foram essenciais para a redução da fila do INSS: a nomeação de novos servidores, a implementação do teleatendimento para perícia médica, a perícia médica documental, o pagamento de bônus para servidores e os mutirões de fins de semana para análise dos pedidos.

O número de reclamações por demora na análise do INSS também caiu 82% entre janeiro e agosto deste ano. O ministro declarou que tem primado pelo rigor institucional e recebeu da Controladoria-Geral da União (CGU) o certificado de integridade máxima.

Durante seu discurso, o presidente Lula defendeu o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que é pago a idosas e pessoas com deficiência de baixa renda. Ele criticou as afirmações de que o BPC é a causa dos déficits na Previdência, afirmando que "a culpa é sempre dos mais humildes".

O presidente explicou que o BPC possui critérios específicos e afirmou: "Se as pessoas estão pedindo, é porque acham que têm direitos. Nós temos que avaliar se têm direito. Se têm direito, a gente dá. Se não têm direito, a gente diz que não têm direito. É assim que funciona a máquina pública".

Além disso, Lula admitiu que o BPC é alvo de fraudes, mencionando que "está cheio de gente picareta tentando arrumar um jeito de ganhar dinheiro".