POLÍTICA

Banqueiro denuncia propina em doações a Tarcísio e Bolsonaro

Daniel Vorcaro se comprometeu a informar sobre suposto esquema para manter o Credcesta em São Paulo.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/09/2026 às 17:33
Denúncia de propina em doações para campanhas de Tarcísio e Bolsonaro surge em delação. © Foto / Banco Master via Agência Brasil / Acessar o banco de imagens

Um veículo de mídia brasileiro revelou que o banqueiro Daniel Vorcaro disse, em proposta de delação premiada apresentada às autoridades, que as doações feitas em 2022 às campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro tiveram origem em um suposto acordo envolvendo propina para assegurar a continuidade do Credcesta no governo de São Paulo.

Conforme revelou uma coluna do UOL, a partir dos relatos feitos na delação, foram destinados R$ 5 milhões às duas campanhas. Tarcísio recebeu R$ 2 milhões e Bolsonaro, R$ 3 milhões. Os recursos foram doados por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na Operação Compliance Zero.

Na versão apresentada pelo banqueiro, os valores seriam "contrapartidas financeiras" decorrentes de um suposto "ajuste indevido com Gilberto Kassab para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio". O político do PSD apoiou a candidatura de Tarcísio em 2022 e, após a vitória, assumiu a Secretaria de Governo de São Paulo. Atualmente, Kassab é candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado.

O Credcesta é um cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos e operado pela PKL One Participações, empresa associada ao Banco Master e ligada a familiares de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.

O governo paulista autorizou, em março de 2022, durante a gestão João Doria, que empresas do setor oferecessem crédito consignado por meio de cartões de benefício a servidores civis e militares, ativos e inativos. A operação do Credcesta começou em julho daquele ano, já no governo Rodrigo Garcia, que assumiu após a renúncia de Dória, e posteriormente se tornou um dos principais negócios do grupo de Vorcaro.

De acordo com o relato atribuído a Vorcaro, Augusto Lima, responsável pelas articulações relacionadas à expansão do Credcesta, passou a buscar garantias para a permanência do negócio no Estado diante da eleição de Tarcísio. O banqueiro afirma que Lima se aproximou de Kassab, então apoiador da candidatura do ex-ministro da Infraestrutura.

Vorcaro diz ter tomado conhecimento, por meio de Lima, de um suposto acordo com Kassab que envolveria as contrapartidas financeiras. O relato, segundo o UOL, foi mantido nas três versões da proposta de delação apresentadas por Vorcaro às autoridades. As versões, no entanto, foram rejeitadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República.

A reportagem procurou Tarcísio, que negou as informações. Em nota, afirmou que "nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro" e que não tem conhecimento dos fatos mencionados.

Kassab também rejeitou o relato e classificou a acusação como "absolutamente fantasiosa", afirmando que ela não possui "qualquer sustentação factual". O secretário admitiu conhecer Augusto Lima, mas negou ter conversado com ele sobre doações feitas por Vorcaro. Procurado, Lima informou que não comentaria.