POLÍTICA

Admissão de erro em ataques aos civis pela administração dos EUA

Vice-presidente JD Vance reconhece possibilidade de erros durante operações militares no Irã.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/09/2026 às 17:12
JD Vance reconhece erros de ataques a civis durante operações no Irã. © AP Photo / Jacquelyn Martin

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, admitiu nesta quinta-feira (3) que as Forças Armadas norte-americanas podem atingir por engano alvos civis, em meio a relatos de um ataque de Washington a um casamento no sul do Irã.

Autoridades iranianas informaram que, na noite de 1º de setembro, uma cerimônia de casamento no condado de Sirik, na província de Hormozgan, foi alvo de um ataque dos EUA, resultando em cinco mortos e cerca de 70 feridos, segundo os dados mais recentes.

"Os Estados Unidos nunca têm civis como alvo em combate. Nunca faremos isso. Nunca fizemos isso. E, infelizmente, obviamente, às vezes as coisas acontecem... E se cometermos erros... Quando nossos militares cometem erros, eles aprendem com eles para tentar melhorar."

A alegação de Vance também surge meses após o ataque dos EUA, em 28 de fevereiro, à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, onde autoridades iranianas e a ONU afirmam que cerca de 180 pessoas morreram, sendo mais de uma centena de meninas entre 7 e 12 anos.

Vance afirmou também que ainda há "muito trabalho" a ser feito para melhorar a situação das Forças Armadas dos EUA, sendo que parte desse processo levará anos.

"Sinto que as Forças Armadas estão em uma situação muito melhor do que há 18 meses. Claro, ainda há muito trabalho a fazer e, naturalmente, parte desse trabalho levará anos", disse o vice-presidente ao ser questionado se compartilhava das preocupações expressas pelo Secretário do Exército dos EUA, Daniel Driscoll, e por vários legisladores republicanos sobre a situação atual do Exército sob a liderança do Secretário de Guerra, Pete Hegseth.

Na quarta-feira (2), o senador republicano Thom Tillis pediu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que demitisse Hegseth, acusando-o de má gestão de liderança e de afastar líderes militares talentosos, prejudicando assim a capacidade de defesa do país.

Driscoll apresentou seu pedido de demissão do cargo de Secretário do Exército a Trump na última segunda-feira (31), em meio a relatos de divergências de longa data com Hegseth. A revista The Atlantic noticiou no mesmo dia que as nomeações e demissões de pessoal sob a gestão de Hegseth tornaram-se um dos principais motivos de controvérsia.

Na terça-feira (1º), o The New York Times informou que o chefe do Pentágono havia demitido ou negado promoções a mais de 80 generais e almirantes, gerando, supostamente, uma divisão interna no Departamento de Guerra.

Países se juntam contra o Irã

Vance afirmou que vários países — incluindo Turquia, Azerbaijão, Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita — estão ajudando Washington, de forma privada, a garantir que o Irã "pague um preço" por disparar contra navios comerciais no estreito de Ormuz.

"Se olharmos para a Turquia, o Azerbaijão, o Catar, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita — se olharmos para todo o mundo —, vemos, na verdade, muitos países realizando, de forma privada, muitas ações positivas para nos ajudar a garantir que os iranianos paguem um preço por dispararem contra navios comerciais."

O vice-presidente dos Estados Unidos também classificou o confronto entre Washington e Teerã como um "conflito", uma vez que, na visão de Vance, só poderia ser considerado guerra se houvesse tiroteio. Apesar da tentativa de reduzir a questão no Oriente Médio, o republicano admitiu não saber quando o preço dos combustíveis pode abaixar.

Vance também afirmou que está mais preocupado com ciberataques do que propriamente com o Irã.

"Eu estaria muito mais preocupado com ataques cibernéticos de outros atores", disse o vice de Trump. "O governo [dos EUA] está obsessivamente focado tanto em antecipar quaisquer ameaças cibernéticas em potencial quanto em responder a elas de forma adequada e garantir que não ocorram."