POLÍTICA

Deputado Delegado da Cunha é demitido da Polícia Civil por Tarcísio de Freitas

Carlos Alberto da Cunha enfrenta acusações de simulação de prisões e violência doméstica.

Por Estadao Conteudo Publicado em 03/09/2026 às 16:43
Delegado da Cunha Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado da Cunha, é um deputado federal eleito em 2022 pelo Progressistas (PP) de São Paulo. Atualmente, é filiado ao União Brasil. Ele integra uma nova geração de candidatos policiais que conquistou o eleitorado com uma abordagem conservadora sobre segurança pública. O Estadão solicitou uma manifestação do parlamentar, e o espaço se mantém aberto.

Ele foi demitido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na quinta-feira, 3. O deputado é acusado de simular prisões de alto impacto, incluindo a de um chefe de facção do crime organizado, e de filmar operações para exibição em suas redes sociais e na TV. Estas ações o tornaram alvo de processos administrativos disciplinares na Corregedoria da Polícia.

Em 2023, o deputado também foi acusado de agredir sua esposa, a nutricionista Betina Raísa Grusiecki Marques. Segundo o boletim de ocorrência registrado por ela, o deputado a ofendeu, ameaçou de morte, bateu sua cabeça na parede e tentou enforcá-la. A vítima chegou a desmaiar devido às agressões e solicitou uma medida protetiva, que impede Da Cunha de se aproximar ou contatá-la.

A posição do deputado, embasada na cronica policial, é visível na maneira como se apresenta em suas redes sociais. No YouTube, onde tem a maior parte de seus seguidores, ele publica desde 2013 vídeos sobre a rotina da Polícia Civil de São Paulo.

A descrição de seu canal diz: "Um canal de documentários retratando a Rotina da Polícia Civil de SP no combate ao crime organizado e às facções criminosas. O objetivo do canal é produzir conteúdo cultural para incentivar jovens a ingressar na honrosa carreira policial e se afastar do crime organizado".

Apesar de se apresentar como delegado – um título que não é vitalício, ao contrário de juízes e promotores – Da Cunha está afastado da Polícia Civil paulista desde junho de 2021. O Conselho da corporação concluiu dois processos administrativos que pedem sua demissão. O primeiro, finalizado em junho de 2022, alega que o deputado forjou a prisão de um líder do PCC e divulgou o caso em seu canal do YouTube sem a autorização de seus superiores. O vídeo acumula mais de 30 milhões de visualizações, e durante o processo administrativo, Da Cunha admitiu a fraude.

O segundo pedido de demissão, feito em agosto do mesmo ano, se baseou nas críticas que Da Cunha fez publicamente a superiores. Como o cargo de delegado é de caráter público, exige aprovação em concurso e nomeação pelo governador, a demissão deve seguir o mesmo tramitar.

Tarcísio de Freitas (Republicanos) herdou o caso de Da Cunha e também do deputado federal Paulo Bilynskyj, filiado ao PL de Jair Bolsonaro, outro delegado influente na política.

Em sua função de delegado de polícia de 1ª classe, Da Cunha recebia R$ 17 mil. Ele possui uma graduação em direito pela Universidade Católica de Santos, um dos requisitos do concurso. Atualmente, como deputado federal, sua remuneração é de R$ 41,6 mil brutos, ou seja, duas vezes e meia a mais.

Ademais, conforme informações do site da Câmara dos Deputados, Da Cunha também recebe R$ 4,2 mil de auxílio-moradia. Somando todos os rendimentos, o deputado recebe mensalmente mais de 34 salários mínimos.

A medida protetiva solicitada pela esposa do deputado não afeta sua permanência no cargo, pois, juridicamente, trata-se de uma cautelar acessória à investigação criminal por violência doméstica. Dessa forma, plano suscetível a ser revertido. Além disso, Da Cunha poderá perder a cadeira na Câmara apenas se for condenado pelas agressões, após a finalização de todos os recursos. O caso ainda está em fase de inquérito, e o deputado nega as acusações.