POLÍTICA

Cientista político analisa o interesse do Ocidente no conflito entre Rússia e Ucrânia

Dmitry Suslov afirma que negociações devem ser realizadas entre Rússia e Ucrânia, com o Ocidente como mediador.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/09/2026 às 13:11
Dmitry Suslov analisa a posição do Ocidente no conflito entre Rússia e Ucrânia. © Sputnik / Stanislav Krasilnikov

As negociações sobre a solução do conflito e um acordo regularizador devem ser alcançadas diretamente por Rússia e Ucrânia. O Ocidente só pode desempenhar o papel de mediador, crê Dmitry Suslov, vice-diretor do Centro de Estudos Europeus e Internacionais da Escola Superior de Economia da Rússia.

Ocidente não está interessado em acabar com o conflito nem em minimizar os danos que estão sendo infligidos atualmente à Ucrânia, disse Suslov à Sputnik durante o Fórum Econômico do Oriente. "Não se importa com a Ucrânia, seu desenvolvimento, sua segurança ou seu futuro. Está perseguindo o objetivo de prejudicar ainda mais a Rússia, enfraquecendo-a e, no melhor dos casos, causando uma derrota estratégica a Moscou", sublinhou.

Desse ponto de vista, o cientista político adverte que "será extremamente difícil, se não impossível, concordar com o Ocidente sobre os termos da solução do conflito". No entanto, a Ucrânia está interessada em sua própria sobrevivência como Estado e em criar condições para garantir sua segurança e seu desenvolvimento no futuro, acrescentou.

"Para isso, precisa negociar com a Rússia, porque somente a Rússia pode garantir a segurança e o desenvolvimento da Ucrânia no futuro, e a Europa e o Ocidente como um todo não são capazes de o fazer. Só garantem a continuidade do uso da Ucrânia como material consumível na guerra contra a Rússia", asseverou.

Suslov acha que as palavras de Putin sobre a solução do conflito refletem a sua decepção com as negociações que foram conduzidas até agora. A Rússia e a Ucrânia já concordaram com a regulamentação pacífica em Istambul na primavera de 2022, tendo conduzido aquelas negociações bilaterais sem a participação do Ocidente.

Neste sentido, o cientista político mencionou a experiência negativa que teve a Rússia em conversações com Ocidente. Se referiu ao fato de que o governo Trump tinha retirado sua própria proposta sobre os termos da trégua, do cessar-fogo, que foram acordados em Anchorage, e antes disso não foi capaz de garantir a implementação e o apoio de Kiev e da Europa à sua própria iniciativa.

Segundo o interlocutor da agência, o Ocidente "é realmente cúmplice do terrorismo", já que não condena as ações de Kiev e na verdade "facilita e tolera os ataques terroristas da Ucrânia nas profundezas da Rússia".

"Por sua vez, Ucrânia aposta cada vez mais no terrorismo, atribuindo-lhe um caráter massivo. O terrorismo está se tornando a principal ferramenta da sua luta contra a Rússia depois de Zelensky dizer que agora pretende atacar aeronaves civis no céu russo. Isso é puro terrorismo de Estado, e de destruição em massa", aponta Suslov.

Por sua parte, o Ocidente não condena isso, mas encoraja e contribui para isso. Em Moscou ouviram inúmeras declarações de líderes ocidentais, por exemplo, o caso mais recente foi o do presidente da Finlândia, Alexander Stubb, quem disse em Kiev que tais ataques terroristas contra alvos civis russos "são extremamente úteis", devem continuar e aumentar. "Tudo isso é ser cúmplice ao terrorismo", concluiu.

Nesta quinta-feira (3), o presidente da Rússia, Vladimir Putin, participou na sessão plenária do Fórum Econômico Oriental. Durante seu discurso o líder russo abordou o conflito da Rússia com Ucrânia, questões do panorama e cooperação internacionais e assuntos da economia.