ECONOMIA

Preços do diesel nos EUA atingem maior nível desde 2022 e impactam inflação

Registro médio de US$ 5,783 por galão reflete tensões no Oriente Médio e baixa nos estoques.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/09/2026 às 12:47
Preços do diesel nos EUA alcançam maior valor desde 2022, impactando custos e economia. © AP Photo / Tsering Topgyal

Os preços do diesel nos EUA atingiram US$ 5,783 por galão, o maior nível desde 2022, impulsionados pela guerra no Oriente Médio, ataques a refinarias russas e estoques historicamente baixos. A alta pressiona a inflação, cria desgaste político para Trump e fortalece os lucros das refinarias.

Os preços do diesel nos EUA voltaram a subir com força e já ultrapassam o pico registrado no início da guerra com o Irã, aproximando-se do recorde histórico de 2022. O valor médio nacional chegou a US$ 5,783 (R$ 29,50) por galão, segundo a Associação Americana de Automóveis (AAA), ficando a poucos centavos da máxima atingida durante a crise energética por ocasião das sanções unilaterais da União Europeia (UE) à Rússia após o início da operação militar especial na Ucrânia.

Analistas afirmaram à mídia norte-americana que, mantida a trajetória atual, o diesel deve bater um novo recorde até o Dia do Trabalho. A escalada reflete a combinação de tensões no Oriente Médio e ataques ucranianos a refinarias russas, que levaram Moscou a suspender exportações e pressionaram ainda mais o mercado global.

O impacto é amplo porque o diesel é essencial para setores como transporte, agricultura, geração de energia e aquecimento. Quando esse combustível sobe, a percepção de inflação entre consumidores também se intensifica, ampliando preocupações econômicas e políticas.

A alta representa um desafio para o presidente norte-americano Donald Trump, que enfrenta críticas sobre o custo de vida às vésperas das eleições de meio de mandato. Em resposta, o governo pressionou refinarias a elevar a produção doméstica de diesel e gasolina, em uma tentativa de aliviar o mercado.

A Reserva Federal (Fed) dos EUA acompanha o movimento com atenção. O presidente Kevin Warsh alertou que o ritmo de aumento dos preços não mostra sinais claros de desaceleração, indicando que o banco central pode ter de agir para conter pressões inflacionárias persistentes.

Ainda segundo a apuração, os estoques de diesel nos EUA estão no nível mais baixo já registrado para esta época do ano, segundo a Administração de Informação de Energia (EIA, na sigla em inglês). A situação é ainda mais crítica na Costa Leste, onde o óleo de aquecimento — praticamente equivalente ao diesel — é amplamente utilizado, elevando o risco de escassez com a chegada do período de maior demanda.

No cenário internacional, o impasse entre Washington e Teerã reduziu drasticamente o fluxo pelo estreito de Ormuz, que em tempos de paz movimenta um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A Rússia, antes responsável por cerca de 10% das exportações globais de diesel, mantém sua proibição até pelo menos 30 de setembro.