ECONOMIA

Conflito entre EUA e Irã pressiona economia americana, alerta a mídia

Crescimento de custos com defesa e aumento nos rendimentos de títulos afetam o mercado e a dívida nacional.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/09/2026 às 10:07
Conflito entre EUA e Irã impacta negativamente na economia americana e nos custos com defesa. © telegram SputnikBrasil / Acessar o banco de imagens

Ao intensificar a sua guerra contra o Irã, a administração Trump está causando preocupações entre os investidores no mercado de bônus, onde possíveis problemas ameaçam provocar uma cadeia de impactos negativos noutras áreas da economia estadunidense, advertiu uma mídia dos EUA.

Segundo a matéria, o conflito no estreito de Ormuz acarreta riscos de que a situação com a dívida dos EUA se transforme em "um círculo vicioso no qual, quanto mais a guerra se intensificar, mais o mercado de títulos ficará alarmado e mais a economia e as ações desacelerarão".

Qualquer guerra costuma custar dinheiro, e esses custos normalmente não são previstos no orçamento. De igual modo, o conflito com o Irã está custando aos Estados Unidos bilhões de dólares em gastos adicionais com defesa, forçando o país a se endividar ainda mais, destaca o autor do artigo.

Nesta semana, o rendimento do título do Tesouro dos EUA de referência de dez anos subiu até o seu nível mais alto em quase três anos.

As mesmas tendências foram registradas recentemente em outros países. Na Alemanha, o rendimento de dez anos atingiu níveis não registrados desde 2011. O rendimento de 30 anos do Reino Unido se alçou até um máximo não visto desde 1998. No Japão, o rendimento do título governamental de dez anos ultrapassou 3% pela primeira vez desde 1996.

Como isso afeta a economia?

Em geral, os rendimentos mais altos dos títulos causam a contração da economia, já que contribuem para o aumento do custo do capital. Além disso, o estresse neste mercado encarece hipotecas para consumidores e empréstimos para empresas.

Como consequência, os grandes negócios se veem obrigados a pagar mais juros por cada fábrica que abrem. Por sua vez, as pequenas empresas enfrentam custos de empréstimo mais altos quando avaliam a possibilidade de expandir as suas atividades econômicas.

Até mesmo o próprio Washington acaba por ser prejudicado pelos maiores juros da dívida nacional, que no mês passado atingiu pela primeira vez US$ 40 trilhões. Em particular, o país norte-americano tem gasto US$ 931 bilhões em juros líquidos neste ano fiscal, bem acima dos gastos em defesa nacional que têm sido de US$ 804 bilhões, segundo o Departamento do Tesouro.

No entanto, a organização de vigilância fiscal Fundação Peter G. Peterson prevê que, na próxima década, os gastos líquidos dos EUA com juros possam ultrapassar US$ 16 trilhões. "Essa é uma estimativa conservadora, e esses custos podem ser maiores se as taxas continuarem subindo", adverte a Fundação Peterson no seu relatório.


Por Sputinik Brasil