POLÍTICA

Lula busca minimizar impactos de ligações entre Moraes e Vorcaro

Conversas divulgadas complicam cenário eleitoral e geram alerta no governo brasileiro.

Por Sputnik Brasil Publicado em 03/09/2026 às 05:29
Lula tenta se distanciar de escândalo envolvendo Moraes e Vorcaro para proteger campanha de reeleição. © Foto / Divulgação / Ricardo Stuckert

Lula tenta conter danos políticos após a divulgação de mensagens que expõem a proximidade entre Alexandre de Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto o STF enfrenta pressão pública e o PT busca afastar o escândalo da campanha de reeleição do presidente.

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discutiu na terça‑feira (1º) com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, o impacto das mensagens reveladas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, que colocaram o Supremo sob forte pressão pública. O presidente e seu entorno buscam agora marcar distância do ministro, apesar da proximidade construída nos últimos anos, para evitar que o escândalo respingue na campanha de reeleição.

As conversas divulgadas do celular de Vorcaro mostram mensagens que teriam sido trocadas com Moraes, inclusive um pedido do ex‑banqueiro sobre se deveria fugir do país. A exposição da relação acendeu alertas no governo e no STF, ampliando o desgaste institucional e criando um ambiente de crise às vésperas da disputa eleitoral, segundo um jornal de grande circulação no país.

No mesmo dia, Lula também foi procurado pelo decano da corte, Gilmar Mendes, que o alertou sobre o que considera falta de apoio das instituições à cúpula da Polícia Federal (PF). O aviso ocorre em meio ao embate entre o diretor‑geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro André Mendonça, responsável por determinar o relatório que tornou públicas as mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Na manhã de quarta-feira (2), Lula alinhou com aliados que a posição pública do grupo será a de que ninguém está acima da lei — discurso já vocalizado por Edinho Silva, presidente do PT e coordenador da campanha. Lula deve adotar tom mais brando e só falar sobre o tema quando provocado em entrevistas, evitando transformar o caso em pauta do governo.

Edinho divulgou vídeo afirmando que "o sistema apodreceu" e defendendo mudanças estruturais no Judiciário e no sistema político, incluindo código de ética, fim de supersalários e combate à promiscuidade entre interesses públicos e privados. Sem citar Moraes, reforçou que a campanha de Lula defende reformas profundas para enfrentar privilégios e corrupção.

De acordo com a apuração, aliados do presidente lembram que Lula já cobrou explicações públicas até do próprio filho, Lulinha, investigado em três inquéritos, e que seria natural adotar postura semelhante com Moraes. O presidente, porém, não pretende abordar o tema espontaneamente, por avaliar que não cabe ao Executivo conduzir esse debate, apesar dos esforços da oposição de tentarem relacionar as duas coisas. Em abril, Lula já havia dito ao ministro que o caso Vorcaro poderia comprometer sua biografia.

A relação entre Lula e Moraes sofreu abalo após essa declaração, mas foi retomada nos meses seguintes. O ministro seguia próximo ao governo e chegou a sediar, em agosto, a reunião que reaproximou Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil). Agora, porém, o escândalo reacende tensões e alimenta ofensiva bolsonarista pelo impeachment de Moraes, não sem provocar uma manifestação do líder do Senado sobre o caso "Dark Horse", insinuando que foi o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quem pediu R$ 130 milhões ao ex-banqueiro.

O desgaste do Supremo já vinha sendo monitorado pelo entorno de Lula desde o fim do ano passado, por afetar a popularidade do presidente. A nova crise surge em meio a pesquisas que mostram, apesar de seu favoritismo, queda nos números de Lula e algum avanço de Flávio Bolsonaro, seu provável principal adversário nas urnas.