POLÍTICA

Randolfe explica adiamento de votação da PEC sobre escala 6x1 no Senado

Líder do Governo afirmou que falta de garantias sobre votos motivou a decisão de suspensão.

Por Estadao Conteudo Publicado em 02/09/2026 às 20:04
Randolfe Rodrigues (PT-AP) Agência Senado

O líder do Governo no Congresso Nacional, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 não foi votada no plenário do Senado nesta quarta-feira, 2, devido à ausência de garantias de aprovação por parte da base governista. Ele explicou que a decisão de adiar a votação seguiu um questionamento do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).

"Nós consultamos o presidente Davi, e ele fez a seguinte pergunta: 'Vocês têm certeza do número de votos?'. Nós checamos, fizemos a verificação necessária e não tínhamos", declarou o parlamentar em entrevista a jornalistas. Segundo Randolfe, a previsão era que houvesse entre 53 e 54 votos a favor da PEC, sendo que o mínimo necessário é 49, o que levou o governo a considerar a margem arriscada.

"Coordenadamente, achamos mais prudente aguardar o momento em que poderemos ter os votos necessários para aprovação da proposta de emenda constitucional", relatou. O senador responsabilizou a oposição por desmobilizar senadores e assim não garantir o quórum necessário no plenário.

"A oposição, lamentavelmente, conseguiu ter sucesso no seu intento de desmobilização. Vocês viram, o senador Flávio Bolsonaro não votou na CCJ. Notaram a atuação, especialmente do senador Rogério Marinho, contrária à aprovação dessa proposta de emenda constitucional", criticou.

Diante da situação, Randolfe anunciou que a base pretende pedir a Davi Alcolumbre uma sessão extraordinária em setembro, exclusivamente para deliberar sobre a PEC. Caso essa convocação não ocorra, haverá um movimento para tratar da questão entre o primeiro e o segundo turno das eleições.

"Posso garantir uma coisa: iremos votar essa proposta de emenda constitucional a qualquer custo, nem que a oposição tenha que arcar com o preço de registrar seu voto contrario, até o fim de outubro. Posso afirmar que até o fim de outubro, de qualquer forma, essa matéria será votada", reiterou o petista.

Mais cedo, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou o parecer do senador Omar Aziz (PSD-AM), que manteve o mesmo texto já aprovado na Câmara dos Deputados.

A CCJ também deu aval para um requerimento da senadora Eliziane Gama (PSD-MA) que pede um calendário especial para acelerar a tramitação da PEC no plenário.

Pelo regimento interno do Senado, a matéria precisa passar por cinco sessões de discussão antes da votação em primeiro turno e por três sessões antes do segundo turno. Além disso, entre as duas rodadas de deliberação, deve haver um intervalo mínimo de cinco dias úteis, conhecido como interstício.