Senado aprova fundo de R$ 5 bilhões para exploração de terras raras
Política Nacional de Minerais Críticos foi aprovada com foco na industrialização do Brasil.
Um dos projetos prioritários do governo para o período eleitoral, a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE) foi aprovada nesta quarta-feira (2) pelo Senado. Com uma estimativa de quase 21 milhões de toneladas, o Brasil conta com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China.
A proposta cria o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com expectativa de R$ 5 bilhões em crédito tributário para estimular projetos de processamento de minerais críticos e estratégicos no país. Desse total, a União poderá aportar até R$ 2 bilhões. O fundo será administrado pelo Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República.
O conselho também ficará responsável por elaborar, a cada quatro anos, a lista de minerais mais estratégicos para o extração no país. A medida busca dar ao governo uma política permanente para definir quais recursos terão prioridade dentro da estratégia de industrialização mineral.
Outra frente criada pelo projeto é o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE), voltado ao desenvolvimento de indústrias de beneficiamento e transformação das terras raras. O objetivo é ampliar o processamento dentro do país e evitar que o Brasil fique restrito à exportação de commodities. O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Crédito para processamento
O crédito fiscal será concedido para as empresas entre 2030 e 2034, com limite anual de R$ 1 bilhão. A proposta estabelece uma espécie de "escada", com aumento do volume conforme os projetos avancem na cadeia de processamento e transformação.
O texto também determina que áreas com potencial para a produção de minerais críticos e estratégicos sejam priorizadas nos leilões realizados pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
A aprovação foi comemorada pelo presidente Lula, que citou nas redes sociais a importância do tema em meio ao aumento da demanda internacional "por matérias-primas usadas em celulares, baterias de carros elétricos, turbinas de geração de energia e diversas tecnologias de indústria e defesa".
"Estamos criando as condições para que sejamos capazes de dominar o ciclo completo de extração, produção, manufatura e exportação das chamadas terras raras. Com isso, vamos gerar riquezas e empregos de qualidade em nosso país, que tem a segunda maior reserva desses minerais no planeta", disse.
Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, classificou a legislação como um "divisor de águas" na política mineral do Brasil. Silveira ainda citou a proposta como um "instrumento de soberania que o Brasil tanto precisava para que deixemos de ser apenas exportador de matéria-prima bruta".
"Vamos trabalhar para que o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos, criado pela Lei, seja regulamentado o quanto antes. É ele que vai garantir previsibilidade e segurança jurídica aos investimentos que o Brasil precisa para modernizar a nossa economia", pontuou.