Silveira ressalta potencial do gás natural para data centers e planos para Angra 3
Ministro de Minas e Energia defende investimentos em energia e inteligência artificial durante seminário na Câmara.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, defendeu nesta quarta-feira (2) o uso do gás natural para atender à expansão dos data centers e afirmou que o Brasil precisa investir em inteligência artificial para não ficar para trás na corrida tecnológica.
Dentro do seminário "Lei Combustível do Futuro: Implementação e Desafios", realizado na Câmara dos Deputados, Silveira também comentou sobre hidrogênio verde e energia nuclear, além de afirmar que o governo pretende avançar com Angra 3 ainda neste ano.
O ministro ressaltou que o aumento da demanda por eletricidade nos data centers exige novas alternativas de geração. Ele citou os Estados Unidos como exemplo e defendeu que o Brasil aproveite as condições regulatórias e energéticas estabelecidas nos últimos anos para atrair investimentos no setor.
"Eu sou um defensor do gás natural, porque os Estados Unidos estão fazendo agora 6,5 gigas de térmicas a gás natural para data centers. Nós temos todo o ambiente de produção e geração de energia, além do ambiente regulatório e legal, com a aprovação do Redata, para atrair grandes data centers para o Brasil. O que é fundamental para sermos protagonistas, inclusive, na IA", disse.
Silveira conectou a expansão dessas estruturas ao desenvolvimento da inteligência artificial e defendeu investimentos na formação de profissionais. Para ele, o Brasil ainda está distante dos países que lideram a tecnologia, como a China e a Índia, mas precisa criar condições para reduzir essa diferença.
O ministro também defendeu o gás natural como fonte de transição energética e criticou a dependência do Brasil com o produto importado dos Estados Unidos. Segundo ele, o país possui reservas de gás não convencional que ainda precisam ser exploradas.
"Não justifica a gente falar que o gás de fraco, o gás não convencional, que tem grandes riquezas no Brasil, em especial na Bacia do Paraná e na Bacia do São Francisco, em Minas Gerais, não justifica a gente falar que nós estamos preservando ou não considerando o gás uma energia de transição, sendo que nós somos o maior importador de gás de fraco dos Estados Unidos", pontuou.
Hidrogênio verde e investimentos no Nordeste
Silveira também abordou o tema do hidrogênio verde, cuja regulamentação integra a agenda de transição energética do governo. Ele afirmou que a tecnologia ainda apresenta custos elevados, especialmente na produção de amônia e fertilizantes, mas enfatizou a importância de desenvolver o setor no Brasil.
Apesar das dificuldades, o ministro destacou o volume de projetos em andamento no país e o potencial da região Nordeste para atrair investimentos.
"É uma das fontes que nós não poderíamos deixar de aprovar na Lei do Combustível do Futuro e regulamentar agora. Já existem centenas de projetos, que representam bilhões de reais em investimentos em hidrogênio verde no Brasil, principalmente no Nordeste brasileiro, que é uma região que precisa se desenvolver e promover mais inclusão", complementou.
Retomada das obras em Angra 3
Na área nuclear, Silveira disse que o governo deseja avançar com a implementação de Angra 3 e modernizar a Eletronuclear, estatal responsável por investimentos no setor. Ele afirmou que as discussões sobre o futuro da empresa e da usina continuam dentro do governo, com a participação da Casa Civil e do Ministério da Inovação.
"Nós queremos avançar em Angra 3, queremos modernizar a empresa Eletronuclear. Estamos trabalhando para isso. Este ano, sim. Eu não digo quando, mas este ano. Acredito que vamos entregar grandes políticas no setor energético brasileiro, além das dezenas que nós entregamos nesses três anos inteiros", frisou.
Questionado sobre a probabilidade de uma decisão sobre Angra 3 ocorrer ainda em 2026, Silveira respondeu: "Este ano, sim. Eu não digo quando, mas este ano."