Ataques aéreos da Rússia resultam em mortes de civis na Ucrânia
Dnipro e Odesa são alvos de intensos bombardeios; Zelensky e Putin trocam ameaças sobre a escalada do conflito.
Ataques aéreos russos mataram dois civis e feriram seis na cidade central ucraniana de Dnipro, segundo autoridades locais. As regiões de Kiev e Odesa também enfrentaram os últimos ataques de Moscou.
A guerra aérea entre a Rússia e a Ucrânia se intensificou com o conflito se aproximando de cinco anos desde a invasão de Moscou. A linha de frente no leste e sul da Ucrânia permanece em grande parte estagnada, enquanto os Estados Unidos buscam uma solução diplomática que ainda não se concretizou.
O presidente russo Vladimir Putin e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky trocaram ameaças na terça-feira sobre os próximos passos a serem tomados.
Zelensky alertou companhias aéreas estrangeiras que voar na Rússia é arriscado devido aos ataques de drones ucranianos, afirmando que "o espaço aéreo russo estará efetivamente se fechando". Ele declarou que a pressão militar tem como objetivo obrigar a Rússia a aceitar negociações.
Putin acusou Zelensky de "terrorismo de estado" e afirmou que "nós não negociamos com terroristas".
Essas declarações foram rapidamente rebatidas pelo Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia, que indicou que as palavras do líder russo são uma tentativa de desviar a culpa de Moscou.
"Um estado que, por si só, desencadeou esta guerra e comete terror diariamente contra civis ucranianos tenta se retratar como uma 'vítima'", declarou o centro.
O ministro dos Transportes da Rússia, Andrey Nikitin, minimizou as preocupações sobre segurança aérea, garantindo que as autoridades estão fortalecendo a vigilância nos voos.
Na cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX) no Quirguistão, Putin também comentou a respeito de relatos sobre o uso de drones britânicos pelo exército ucraniano em ataques dentro da Rússia. Questionado se a Rússia retaliaria atingindo instalações militares britânicas, ele não descartou essa possibilidade, afirmando que é um "segredo militar".
A China e a Coreia do Norte estão fornecendo apoio militar à Rússia, assim como o Irã ao longo dos anos.
Enquanto isso, autoridades europeias analisam como responder à campanha de sabotagem de Moscou, que tenta desestabilizar o apoio à Ucrânia. A Alemanha responsabilizou a Rússia por uma tentativa de ataque no Aeroporto de Leipzig/Halle, ocorrida no mês passado, utilizando um drone carregado de explosivos.
Ataques em Dnipro resultaram em mortes e danos a armazéns de alimentos
A Rússia disparou 174 drones de ataque, incluindo mísseis balísticos e lançados do ar, segundo a força aérea ucraniana. Em Dnipro, os ataques resultaram na morte de um homem e uma mulher, além de ferimentos em pelo menos seis pessoas, com o ataque atingindo armazéns de alimentos.
As forças russas têm atacado depósitos de alimentos, resultando em prateleiras vazias nos supermercados. As autoridades ucranianas afirmam que esses ataques visam desestabilizar a vida cotidiana e minar o moral público.
Zelensky lamentou a resposta tímida da comunidade internacional a essa intensificação de ataques russos, solicitando defesa aérea, sanções e um aumento na produção de armamentos.
Na região sul de Odesa, um ataque danificou um prédio residencial de 24 andares, ferindo oito pessoas, incluindo uma criança.
Em Kiev, este foi o sétimo dia consecutivo de ataques. Embora a intensidade tenha diminuído, os moradores permanecem em alerta.
A Rússia, por sua vez, afirmou que suas defesas aéreas destruíram 130 drones ucranianos, enquanto declarou que ataques de drones ucranianos na região de Belgorod resultaram em duas mortes e 16 feridos, com a Ucrânia atacando a região 140 vezes em um intervalo de 24 horas.
Esses drones, que visam alvos estratégicos na infraestrutura russa, têm o objetivo de afetar a economia e fazer o público russo sentir as consequências da guerra.
O Ministério da Defesa da Ucrânia informou que, em agosto, seus drones atingiram diversas refinarias e depósitos de petróleo russos.