Queda nas taxas de juros é impulsionada por cenário eleitoral e atividade econômica fraca
Os juros futuros na B3 fecharam em queda, refletindo os desdobramentos das pesquisas eleitorais.
Os juros futuros negociados na B3 fecharam em queda firme no pregão desta quarta-feira, 2, alinhados ao desempenho dos demais ativos domésticos. Segundo agentes, além do 'trade' eleitoral, que beneficiou o real e a Bolsa na sessão, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) contaram ainda com a ajuda extra da percepção de um desaquecimento mais consistente da atividade econômica, que permite que o Banco Central continue o ciclo de calibração da Selic.
Nessa seara, após o Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre ter trazido recuo do consumo das famílias em um período turbinado por estímulos, a produção industrial de julho, publicada nesta quarta pelo IBGE, cresceu menos do que o previsto, sinalizando uma economia fraca também no terceiro trimestre.
Já do lado político, o empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno, trazido pela pesquisa Quaest, somado às notícias negativas relacionando o ministro do STF Alexandre de Moraes ao dono do banco Master, deram novo fôlego à perspectiva de troca de governo em 2027. Na leitura do mercado, a maior chance de alternância de poder reduz os prêmios de risco, por trazer maior probabilidade de que assuma um governo comprometido com a agenda fiscal. A crise envolvendo o STF também é considerada como um fator que favoreceria a oposição.
Encerrados os negócios, a taxa do DI para janeiro de 2027 cedeu a 13,575%, vindo de 13,586% no ajuste da véspera. O DI para janeiro de 2029 terminou negociado a 13,95%, de 14,114% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 anotou baixa de 14,403% a 14,200%.
Publicada no fim da manhã, a Quaest indicou Lula e Flávio empatados em um cenário de segundo turno, com 42% dos votos para o petista e 41% para o filho de Jair Bolsonaro. Na edição anterior, de meados de agosto, a diferença entre os dois candidatos era de três pontos. No primeiro turno, a leitura desta quarta da enquete aponta Lula com 37% dos votos, seguido por Flávio (30%) e Augusto Cury, do Avante (10%).
'A pesquisa Quaest mostrou uma disputa presidencial mais apertada, principalmente no cenário de segundo turno, levando o mercado a reprecificar parte do risco eleitoral.' Na leitura dos investidores, aumentou a probabilidade de uma mudança na condução da política econômica a partir de 2027, especialmente em relação ao equilíbrio fiscal e à trajetória da dívida pública', afirmou Paulo Silva, co-fundador da Advisory 360. Para Silva, porém, o movimento representa uma 'redução momentânea' do prêmio de risco.
Gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, Marcelo Bacelar concorda que o quadro eleitoral tem ajudado os ativos domésticos, não só devido ao resultado conhecido nesta quarta, mas afirma que, no caso do mercado local de renda fixa, 70% da melhora se deve à conjuntura de perda de ímpeto da atividade. Assim, avalia, a sessão desta quarta representa uma continuidade do movimento de terça, quando foi conhecido o PIB do segundo trimestre. O número, apesar de ter avançado 0,5% na margem, veio com retração de 0,4% do consumo das famílias.
'A parte cíclica do PIB foi pior do que o esperado, e confirmou desaceleração em um trimestre no qual o consumo deveria vir mais forte por causa da estímulos', aponta Bacelar. 'E quando vemos o PIB confirmando um desempenho pior do consumo interno, isso começa a abrir espaço para mais cortes da Selic e para menos prêmio nas taxas', disse o gestor, que mantém posições aplicadas no miolo da curva, apostando em mais alívio monetário à frente.
Nesta quarta, o IBGE divulgou a Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), primeiro dado econômico oficial de julho, que cresceu apenas 0,2% ante junho, feitos os ajustes sazonais. A mediana do Projeções Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), previa alta maior, de 0,5%.