TSE aperta o cerco contra IA em 2026 e acende alerta para a importância da alfabetização midiática
Com 73% de rejeição ao uso de IA em campanhas, alfabetização midiática ganha importância nas eleições
Com a aproximação das eleições de 2026, novas regras da Justiça Eleitoral estabelecem parâmetros para o uso de inteligência artificial na comunicação política. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou critérios para a identificação de conteúdos produzidos ou modificados por IA e restringiu materiais que possam favorecer ou prejudicar candidaturas, em uma tentativa de reduzir o impacto de manipulações digitais sobre a decisão dos eleitores.
Nas últimas semanas, conteúdos produzidos ou alterados por IA envolvendo candidatos à Presidência acumularam milhões de interações nas redes sociais, colocando à prova a capacidade das plataformas, das autoridades e da própria população de identificar informações manipuladas. Em muitos casos, os materiais circularam sem indicar claramente o uso da tecnologia, apesar das exigências estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
A preocupação também aparece na percepção dos próprios eleitores. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em agosto mostrou que 73% dos brasileiros rejeitam o uso de IA em campanhas eleitorais, enquanto apenas 21% se dizem favoráveis à prática.
Embora a tecnologia esteja cada vez mais presente na comunicação política, os dados indicam que ainda existe forte resistência à sua utilização. Ao mesmo tempo, a circulação de conteúdos sintéticos cria uma questão: como preparar os eleitores para avaliar criticamente aquilo que recebem nas redes sociais?
"As pessoas aprenderam a desconfiar de notícias falsas, mas hoje imagens, vídeos e áudios podem ser produzidos artificialmente com alto grau de realismo. A questão não é apenas verificar se um conteúdo é verdadeiro ou falso, mas desenvolver a capacidade de analisar criticamente sua origem e sua intenção", afirma Luís Mauro Sá Martino, doutor em Ciências Sociais e professor da FAPCOM.
Segundo o especialista, esse cenário reforça a importância da alfabetização midiática, entendida como a capacidade de interpretar e contextualizar informações em diferentes meios de comunicação.
"Em períodos eleitorais, as pessoas são expostas a um volume enorme de informações e precisam desenvolver critérios para avaliar o que consomem. As tecnologias mudam rapidamente, mas a necessidade de formar cidadãos críticos permanece", ressalta.
A alfabetização midiática envolve compreender a origem das informações e verificar as fontes antes de aceitar ou compartilhar um conteúdo. Esse cuidado pode contribuir para que o eleitor tome decisões mais conscientes.
"Não é preciso que o cidadão conheça todas as tecnologias utilizadas para produzir um conteúdo. O mais importante é verificar a fonte e lembrar que nem todo conteúdo corresponde a um acontecimento real", conclui.
Sobre a FAPCOM
Fundada em 2005 pela Pia Sociedade de São Paulo (Paulinas e Paulinos), a FAPCOM – Faculdade Paulus de Tecnologia e Comunicação, é uma instituição de ensino superior reconhecida pela excelência na formação em Comunicação, Filosofia e áreas correlatas. Com uma proposta que integra conhecimento, ética, inovação e responsabilidade social, a faculdade prepara profissionais para os desafios do mercado contemporâneo por meio de uma formação humanística, crítica e alinhada às transformações da sociedade e da tecnologia.