Arezzo&Co e Soma anunciam separação e criação de novas empresas
Duas novas companhias de capital aberto e uma estrutura para a Farm Rio serão formadas a partir da cisão.
Após dois anos da criação da Azzas 2154, a Arezzo&Co e a Soma resolveram separar os negócios e retornar às origens. Com essa mudança, serão criadas duas empresas independentes de capital aberto e uma terceira estrutura societária específica para a Farm Rio. Os acionistas da Azzas receberão ações das duas novas companhias, equivalentes às que já possuíam.
Criada em 2024, a Azzas nasceu com estardalhaço, faturamento combinado de R$ 12 bilhões e metas bastante ambiciosas. O projeto baseava-se em avenidas de crescimento como vendas cruzadas, sinergia com a união de operações internas, aceleração global de franquias e produção mais ágil.
No entanto, a realidade mostrou-se mais desafiadora do que o planejado. Apesar dos resultados expressivos, com receita de R$ 14,7 bilhões no ano passado, conflitos de gestão e disputas de poder interromperam os planos.
Segundo fontes próximas, enquanto Alexandre Birman, da Arezzo, possui um estilo de gestão centralizador, Roberto Jatahy, do Grupo Soma, costuma dar maior autonomia aos diretores de cada marca. Desde o início, a sua marca foi um fator de desgaste na governança e causou a saída de executivos de alto escalão.
Os desentendimentos começaram antes mesmo da fusão ter seu trâmite legal completo. Jatahy defendia uma avaliação externa e independente para os cargos de liderança do novo grupo, enquanto Birman insistia em escolher os principais executivos na posição de CEO da holding.
O primeiro grande conflito público envolveu a marca Reserva. A grife estava sendo integrada à estrutura de Jatahy, no Rio de Janeiro, por questões de eficiência comercial. Contudo, Birman decidiu inverter a mudança, trazendo a marca de volta ao seu controle.
Jatahy acionou a Justiça e obteve uma liminar em maio, para barrar a ordem de Birman, alegando que ela resultaria em um prejuízo de R$ 116 milhões na geração de caixa (Ebitda).
Outras disputas levaram a procedimentos arbitrais na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM) da B3, para discutir os limites de poder da diretoria e o cumprimento do acordo de acionistas.
No comunicado ao mercado, os acionistas de referência disseram: "Após um período de diferentes visões sobre a estrutura societária, a governança e as estratégias da Companhia, chegamos a uma solução que preserva o valor construído, encerra as controvérsias existentes e cria condições para que cada conjunto de negócios desenvolva plenamente seu potencial".
"Acredito que essa reorganização cria melhores condições para todos os nossos acionistas", afirmou Birman. "Teremos companhias mais simples, com estratégias mais claras e maior capacidade de execução, e continuaremos participando da criação de valor de um ativo extraordinário como a Farm Rio".
Birman ainda complementou que conseguiram transformar as diferenças em uma solução empresarial que preserva o valor construido e cria condições para que cada negócio siga seu caminho com maior foco.
A reorganização resulta na criação de duas companhias abertas, além da Farm Rio. A Arezzo&Co reunirá operações de calçados e bolsas, além das marcas Hering, Carol Bassi e ZZ Mall.
A Soma ficará com as operações de vestuário feminino e masculino, exceto a Farm Rio, que se tornará uma sociedade específica, detida em 57,4% pela Arezzo&Co e 42,6% pela Soma, mantendo a participação de ambas nas operações da Farm.
As novas empresas independentes serão listadas no Novo Mercado da B3, com gestão, conselhos de administração e estratégias próprias.
Pessoas próximas ao negócio afirmam que as companhias nunca foram realmente integradas, tornando a separação relativamente simples. Operações como vendas online e logística continuarão como serviços entre as empresas.
"Chegamos a uma solução que respeita o trabalho construído até aqui e cria uma base clara para o futuro", disse Jatahy no comunicado, ressaltando a continuidade como sócios na Farm Rio, uma marca de significativo crescimento.
A Arezzo&Co incluirá marcas como Arezzo, Schutz, Anacapri, Vans, Vicenza, entre outras. A Hering também terá estrutura semelhante.
A Soma por sua vez reunirá marcas de vestuário como Animale, Cris Barros, Maria Filó, Reserva e suas extensões.
Após a permuta entre acionistas, a família Birman terá 32,13% da Arezzo&Co e 57,4% da sociedade com a Farm Rio.
O comunicado também menciona que alternativas para a Farm estão sendo estudadas, com a Arezzo&Co liderando avaliação de estratégias. A expectativa é concluir a operação no primeiro trimestre de 2027.
O BTG Pactual atuou como assessor financeiro para os acionistas ligados à família Birman, enquanto a G5 Partners atendeu Jatahy.