ECONOMIA

Endividamento segue pressionando finanças de famílias e empresas, aponta BC

Relatório do Comitê de Estabilidade Financeira indica altos níveis de dívida e preocupação com o mercado de crédito.

Por Estadao Conteudo Publicado em 02/09/2026 às 12:32
Banco Central

O Comitê de Estabilidade Financeira (Comef) do Banco Central ressaltou, na ata de sua 66ª reunião, que o endividamento segue pressionando a condição financeira de famílias e empresas. "Embora a maior parte das corporações demonstre resiliência, observou-se redução no número de empresas com aumento do lucro líquido, ao mesmo tempo em que aumentou o número daquelas com elevação da despesa financeira líquida", observou o Comef, que pontuou que níveis elevados de ativos problemáticos e de probabilidade de default seguem indicando que a materialização de risco no crédito às empresas e às famílias deve permanecer elevada.

O comitê enfatizou que o endividamento das famílias permanece em patamar historicamente alto, e o comprometimento de renda atingiu o maior nível da série histórica. Esse quadro, disse, segue sendo influenciado pela participação relevante de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias.

"O cenário requer cautela e diligência adicionais no mercado de crédito", frisou o Comef.

Preocupação com estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento

O Comef do Banco Central também afirmou, na ata de sua 66ª reunião, que permanece, no mercado de capitais, a preocupação com estruturas que envolvem múltiplas camadas de fundos de investimento e que podem dificultar a adequada avaliação de riscos.

"A organização desses fundos em cadeias com múltiplos níveis aumenta a complexidade e a opacidade na identificação e no mapeamento das exposições. Tais estruturas dificultam a avaliação e a consolidação dos riscos assumidos pelos agentes econômicos que investem nesses instrumentos", disse o comitê.

Segundo o Comef, a preocupação é particularmente relevante no caso dos FIDCs, que mantiveram aceleração no trimestre, vêm ampliando sua participação no crédito amplo como forma de financiamento às empresas e mantêm conexões relevantes com instituições reguladas pelo BC, por meio da cessão de ativos e do investimento em cotas.