Ghalibaf defende resposta militar ao cerco econômico dos EUA
Presidente do Parlamento iraniano pede unidade nacional e alerta sobre sanções ao país.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país "definitivamente responderá militarmente" caso os Estados Unidos intensifiquem o que chamou de "cerco" contra Teerã. A declaração foi feita em um vídeo transmitido pela agência iraniana Fars, onde o parlamentar associa a pressão americana a uma estratégia mais ampla de guerra econômica, psicológica e militar.
Ghalibaf recorreu ao termo "inimigo" para se referir aos EUA e disse que, se a intenção americana for impedir o Irã de exportar petróleo pelo Golfo Pérsico, "ninguém" conseguirá fazê-lo. Ele ressaltou que parte relevante das novas sanções anunciadas contra o país apenas reedita restrições já aplicadas anteriormente.
Sobre o Estreito de Ormuz, ponto-chave para o fluxo global de energia, Ghalibaf declarou que a capacidade militar iraniana na área foi mantida e ampliada e que o "controle total" do estreito estaria "nas mãos" das Forças Armadas do país, que se "renovaram" e "fortaleceram" nos últimos meses. Ele ainda argumenta que um bloqueio naval dos EUA configura "ação militar" segundo o direito internacional.
Ghalibaf citou o memorando de entendimento assinado em Islamabad no fim de junho e disse que o Estreito de Ormuz "não abrirá" até que os compromissos dos EUA previstos no documento sejam implementados. Segundo ele, durante a vigência do entendimento, o Irã teria exportado mais de 80 milhões de barris de petróleo e avançado na importação de bens básicos.
O parlamentar comparou o fluxo atual de navegação na rota marítima ao que era antes da guerra. "Antes, pelo menos 120 navios passavam diariamente, e ainda que um ou dois atravessem o estreito hoje, não se compara ao nível anterior à guerra", alegou ao classificar como "mentiras" declarações de autoridades americanas sobre a rota estar aberta. "Se os EUA controlassem o estreito, por que precisariam repetir isso todo dia e atacar nossas ilhas?"
No plano interno, Ghalibaf pressionou por unidade política e pediu que autoridades evitem declarações que possam aprofundar divisões ou "ir contra interesses nacionais". De acordo com ele, o objetivo do "inimigo" em uma guerra híbrida seria fomentar instabilidade doméstica combinada com ações de terror e ataques militares pontuais.
Na pauta econômica, o chefe do Legislativo procurou deslocar parte da pressão social sobre o consumo e o preço de combustíveis. Ele disse que a população não deve ser responsabilizada pelo alto consumo de gasolina e atribui o problema principalmente a falhas estruturais e à indústria petrolífera, defendendo reformas e medidas de eficiência para reduzir custos sem ampliar o peso sobre as famílias.
Ghalibaf ainda declarou que governo e Parlamento estariam determinados a elevar o gasto com alimentação, "especialmente para os segmentos mais fracos", e que a medida seria implementada "na primeira oportunidade". No fechamento do apelo doméstico, pediu que a sociedade "não jogue no campo do inimigo".
A disparada da inflação no Irã e as dificuldades econômicas enfrentadas pelo país têm sido utilizadas nas últimas semanas pelo governo Donald Trump para justificar a nova frente de guerra concentrada em sanções. Na segunda-feira, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que a economia iraniana "não precisa colapsar", mas que o regime persa "precisa cair".