Renan Santos critica suspensão de campanha e diz ser alvo de perseguição
O candidato à presidência questiona decisão do STF que bloqueou sua campanha digital, mas não sua candidatura.
O candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão) convocou a imprensa nesta segunda-feira (31) para responder à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que suspendeu sua campanha digital, mas não sua candidatura.
O candidato do Missão abriu a coletiva, de forma equivocada, dizendo que, "aparentemente, é um ex-candidato agora falando". Santos, que se emocionou durante a fala, atribuiu o episódio como uma "escalada autoritária no Judiciário", falando em uma "inflexão autoritária nos tribunais" e "ditadura dentro do judiciário".
Toffoli, que também compõe o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a campanha digital de Renan Santos alegando que o candidato omitiu 16 perfis em redes sociais no registro inicial de sua candidatura, comunicando-os apenas 12 dias depois ao TSE. A legislação eleitoral determina que perfis existentes devem ser informados no momento do registro e novos perfis comunicados em até 24 horas.
O ministro do TSE argumentou que essa omissão estratégica permitiu que os perfis de Renan continuassem sujeitos aos algoritmos de recomendação das plataformas enquanto concorrentes não omitiam perfis, criando desequilíbrio eleitoral. A suspensão bloqueia nova propaganda digital, corta repasses do Fundo Eleitoral e proíbe participação em debates em rádio, TV e podcasts.
Sobre os algoritmos de recomendação, Renan disse que perfis de outros políticos, da direita e esquerda, poderiam ser enquadrados no mesmo entendimento. "Não estou aqui, de maneira alguma, falando que eles deveriam ter suas candidaturas cassadas, nem os demais que eu citei, porque esse caso é apenas absurdo".
Santos alegou que seus advogados já responderam os pedidos à Justiça Eleitoral em 19 de agosto. Vale lembrar que o prazo de conclusão para os registros de candidatura havia terminado em 15 de agosto, e a campanha começou oficialmente no dia 16.
O advogado da campanha, Arthur Rollo, afirmou que a defesa apresentará ainda nesta segunda um mandado de segurança ao TSE contra as decisões de Toffoli. Segundo ele, será pedida uma liminar ao presidente da Corte, ministro Nunes Marques, para suspender as restrições.
Rollo questionou o impedimento de participar de sabatinas, por se tratar "de um problema de rede social". O advogado entende que, mesmo que a decisão seja revertida, haverá prejuízo irreparável ao candidato. "Como é que a gente faz para devolver o tempo de campanha do Renan?", questionou Rollo.
Durante a coletiva, Renan exibiu vídeos que publicou anteriormente com críticas a Toffoli e sobre supostas relações envolvendo o ministro. "[A decisão é] do Dias Toffoli, ministro do STF, que está hoje no TSE e que foi nomeado pelo mesmo grupo político que, há dez anos, eu afastei do poder no Brasil. A história, alguns dizem que é cíclica, mas a história é a história." Campanhas como a de Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) se posicionaram contrários à decisão.
Renan Santos disse que não aceita a acusação e alegou que seus perfis não estariam registrando crescimento que demonstrasse benefício eleitoral irregular. "Não dá para justificar de maneira racional e razoável, nem do ponto de vista jurídico, nem do ponto de vista político", concluiu.